A força do Brasil Central

A região produz 11,27% da riqueza gerada no Brasil e 50% do que é produzido no país em soja, milho e algodão é oriundo do Brasil Central. Dos mais de 16 milhões de empregos gerados por micro e pequenas empresas no Brasil, 9,02% são dos estados do Brasil Central, somando quase 1,5 milhão.

Bloco formado pelo Distrito Federal, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia define ações conjuntas de desenvolvimento na região e se torna um exemplo para o país

Criado em 3 de julho do ano passado, o Fórum de Governadores do Brasil Central já avançou, em pouco mais de um ano, em muito na sua organização e na definição de estratégias e ações conjuntas visando ao desenvolvimento da região que agrega todos os estados do Centro-Oeste e dois do Norte do país. A criação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento do Brasil Central já é uma realidade.

Distrito Federal, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia têm muito mais em comum do que se possa imaginar, tanto no aspecto geográfico, quanto nos econômico, social e político. E foi justamente pensando em juntar força política e valorizar seus potenciais como estados com forte presença do agronegócio, da agroindústria, da mineração e estratégicos para o desenvolvimento nacional, que os governadores dos seis estados se estabeleceram como um bloco. A reunião, que acontece neste início de outubro em Porto Velho, Rondônia, culmina um grande avanço na organização do Fórum. O evento contará com mais um membro, o estado do Maranhão, que integrará o bloco.

O Consórcio criado há um ano e três meses, no primeiro encontro, em Goiânia, Goiás, já se impôs no cenário político e econômico nacional, tornando-se um exemplo para todo o país. A criação do fórum foi uma proposta do então ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Mangabeira Unger. Ele próprio coordenou a primeira reunião dos líderes estaduais. “A formação do bloco é uma resolução histórica”, disse Unger. O ministro apresentou cinco temas que passaram a nortear a agenda do bloco: agropecuária; logística e industrialização; educação; ciência e tecnologia e fomento do empreendedorismo de vanguarda. “A educação básica de qualidade é, sem dúvida, uma prioridade máxima, mas todos os temas são essenciais para as estratégias desenvolvimentistas”, pontuou.

Aquele encontro decidiu criar a Agenda de Desenvolvimento do Brasil Central e a formação de uma instituição para financiar as atividades na região. “O Centro-Oeste tem interesses comuns e quanto mais a gente se articular para debater os temas e construir alternativas, juntos, para os desafios da região, melhor para todos”, afirmou o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg “Esse movimento se consolida agora. Todos nós estamos preocupados com o que tem ocorrido no Brasil, mas vamos focar no que nos une. Fundamentalmente, é um Movimento que nos fortalece politicamente. E politicamente podemos nos organizar para conseguir recursos para os Estados”, ressaltou Marconi.

Região competitiva

O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, defendeu uma análise conjunta para resolução dos problemas individuais de cada ente federativo da região. Para ele, é necessário repensar a logística do centro do país: “É fundamental que nossos eixos de escoamento sigam uma lógica regional competitiva, que incentive a produtividade”. Já o governador de Mato Grosso, Pedro Taques, considerou que o ineditismo da iniciativa permite que os estados e o Distrito Federal caminhem rumo a um novo modelo de federação, tendo como mote a cooperação entre os membros estaduais. “Não se faz um país só com bacharéis e doutores. O Brasil precisa de técnicos”, defendeu.

A importância de se discutir a reforma tributária nas unidades federativas foi destacada pelo governador de Tocantins, Marcelo Miranda. “Temos de focar em fazer o melhor com menos, valorizar o poder público desde a base e repensar as tributações na região”.

Para o governador de Rondônia, Confúcio Moura, o consórcio é altamente construtivo e novo. “Nunca existiu na federação um modelo de consórcio de estados. É o primeiro, então isso representa uma novidade. Neste grupo está o lado bom do Brasil, o lado exemplar do Brasil produtivo”, definiu Confúcio.

A região é caracterizada pelas elevadas taxas de crescimento do PIB regional, pela pujança de suas exportações e pelo notável potencial empreendedor de sua população. O Brasil Central é a região que mais cresceu nos últimos dez anos e que apresentou a maior taxa de redução de pobreza.

Segundo dados do IBGE (2005), a população do Brasil Central reúne cerca de 20 milhões de habitantes, o equivalente a 9,16% da população nacional e ocupa 25% do território nacional (IBGE, 2013). Com um total de 658 municípios, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) dos estados que compõem o Brasil Central é acima da média nacional.

Em relação à riqueza gerada no Brasil, 11,27% são provenientes da região e 50% do que é produzido no país em soja, milho e algodão é oriundo do Brasil Central (Conab, Safra 14/15). Dos mais de 16 milhões de empregos gerados por micro e pequenas empresas no Brasil, 9,02% são dos estados do Brasil Central, somando quase 1,5 milhão. Deste total, 45,78% são de atividades relacionadas ao comércio. E das 238 universidades do Brasil, 27 estão na região.

Fronteiras de expansão

Apesar dos avanços, ainda há desafios para a região. No quesito parques tecnológicos, o Brasil Central tem apenas 9,5% dos projetos, sendo seis apenas iniciativas, três em implantação, e nenhum parque em operação. O Brasil Central também perde muito em logística.

A natureza comum dos estados que constituem o Brasil Central e suas aptidões e de seus problemas, de suas fronteiras de expansão e das restrições a serem superadas, assim como a crescente interdependência e integração competitiva de suas economias, culminaram na necessidade da criação de instâncias interfederativas de planejamento, coordenação, deliberação e fomento, que expressem de forma organizada e assertiva uma estratégia comum de desenvolvimento em múltiplas escalas.

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