Chineses adquirem porto e Wellington propõe investimento para beneficiar MT

Senador republicano indica portos do Arco Norte da Logística, com 41% das exportações de commodities, como atrativos para receber investimentos

A China Merchants Ports Holdings, uma das maiores operadoras de terminais portuários do mundo, assinou nesta quinta-feira, 22, em Brasília, contrato que oficializa a aquisição de parte da TCP, empresa que opera o Terminal de Contêineres de Paranaguá, no Paraná, cujas instalações estão avaliadas em R$ 4,1 bilhões. O ato aconteceu durante realização do Painel sobre Desenvolvimento da Infraestrutura Nacional, promovido pela Frente Parlamentar de Logística de Transporte e Armazenagem (Frenlog), voltado a discutir estratégias de investimentos – nacionais e estrangeiros no Brasil.

O evento da Frenlog contou com a presença do ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella Lessa; do ministro da Saúde, deputado Ricardo Barros; do embaixador da China no Brasil; Li Jinzhang, da ministra conselheira de Comércio do Governo da China; dos executivos da China Merchants Ports; e direto federais do Senado e da Câmara dos Deputados.

“A chegada desse grupo ao Brasil, via o controle da TCP, marca um momento relevante de sua estratégia de expansão na América Latina, ensejando a constituição de um ‘hub’ fundamental para o crescimento do fluxo de commodities e outros bens entre o nosso País e a China” – disse o senador Wellington Fagundes (PR-MT), presidente da Frente Parlamentar, ao destacar a capacidade do Brasil para atrair novos investimentos dessa magnitude.

Fagundes destacou, no entanto, que “o roteiro de oportunidades” para bons investimentos logísticos e portuários no Brasil não está limitado ao Sul/Sudeste. Se dirigindo aos investidores chineses, indicou os portos do chamado Arco Norte da Logística, localizados nos Estados do Maranhão, Pará e também no Amazonas, como fortes atrativos para investimentos, uma vez que atende objetivamente aos interesses da produção do agronegócio e ainda para exportação de minérios.. Ele lembrou que os terminais do norte do Brasil movimentaram 41% da exportação brasileira de commodities, o equivalente a 51,2 milhões de toneladas – a grande maioria partindo de Mato Grosso.

Entusiasta da logística de transporte, Fagundes celebrou o entendimento que garante investimentos da China e destacou tratar-se de ‘uma das mais bem-estruturadas formas de parceria público-privada’ já firmadas no Brasil. Segundo o senador, essa operação “já é fruto do Decreto dos Portos que destravou o investimento em infraestrutura, dando segurança jurídica aos investidores”.

Para Wellington, a oficialização do acordo deverá servir de modelo para futuras transações que envolvem o poder público concedente, visto que se fundamentaram em vantagens recíprocas – fator fundamental para geração de oportunidades e melhoria de empregos e renda no país. Fagundes apelou para a necessidade de avançar, no entanto, sobre a segurança jurídica, transformando as concessões em política de Estado.

O embaixador da China no Brasil, por sua vez, assegurou que seu país – apontado como atual ‘motor da economia mundial’ – seguirá “trabalhando a política de uma via, um caminho, dividindo ganhos com os países parceiros”. Ele manifestou satisfação com a concretização da transferência do controle da TCP para a empresa CM Ports e reafirmou a disposição de seguir trabalhando para avançar em outras frentes de investimentos.

Bai Jingtao, executivo da CM Ports, por sua vez, disse que o desejo da empresa é conectar o mundo por meio da rede portuária. “Tanto a China quanto o Brasil são países de mercados emergentes com influência significativa” – enfatizou. Ele ressaltou que nosso país é a maior economia da América Latina com um sistema industrial completo e agricultura desenvolvida e indústria de base. Jingtao disse ainda que o Brasil é parceiro estratégico global mais importante da China e seu maior parceiro comercial na América Latina. Ele previu que o TCP “será um porto líder de classe mundial”.

Para o ministro dos Transportes, a bem-sucedida operação entre a TCP e a Merchants Ports Holdings, com atuação do Ministério e Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), representa os esforços do Governo brasileiro em encontrar saídas efetivas para promover a retomada do desenvolvimento econômico. Maurício Quintella destacou, entre outros, o ordenamento da Política de Transportes, centralizada no Ministério pelo atual Governo.

O ministro enfatizou ainda que além dos quase R$ 3 bilhões pagos pela empresa chinesa na aquisição, a CMPort também deve investir cerca de um R$ 1 bilhão no porto. Segundo o ministro, o Brasil está aberto para novos investimentos. “Os empresários do setor privado, tanto do Brasil quanto do exterior, têm dentro do Ministério dos Transportes um diálogo franco e aberto. Nós estamos prontos para receber e apoiar qualquer empresário da China ou de qualquer outro país que queira fazer investimentos no Brasil” – declarou Quintella.

 

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