Direito à Cidade

Por Álisson Lopes

Paulo Freire já vislumbrava que educação é libertação (“educação com qualidade”, VII, 206 CF) para formação de cidadãos críticos e autônomos , o projeto Direito à Cidade tem como objetivo empoderar com conhecimento estudantes do Centro Educacional 02 do Guará I, conhecido como  “GG”, e também o Centro Educacional 01 do Riacho Fundo II com uma educação em direitos , e deveres, contextualizada com a realidade social, com o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas (III, art.206 CF), semanticamente à democracia significa o poder do povo, e o direito deve ser a manifestação da consolidação dos acordos de convívios sociais e não instrumento de domínio para alguns poucos, é na educação e nos direitos , sem violência, que a humanidade caminha rumo à civilidade ( “promoção humanística, científica e tecnologia do país, inciso V, artigo 214 Constituição Federal).

No ano passado fiz uma parceria com o Projeto Falando Direito, iniciativa exitosa, minha breve passagem nesta ação serviu para destacar ainda mais o obvio que é  a importância da escola pública para educação em direitos e democracia, e que muitas escolas do DF tem desenvolvido trabalhos de ensino/aprendizagem de excelência a despeito de todas as dificuldades, os contratempos conhecidos e tão divulgados na grande mídia. Vejo que é necessário seguir com os projetos interrompidos de Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, uma sociedade que verdadeiramente constrói seu caminhar de forma civilizada, que participa da vida da sua rua, bairro, cidade, país, nação, tem a educação como principal investimento.

O projeto Direito à Cidade contextualiza, e não poderia ser diferente, as disciplinas de história , filosofia, sociologia, entre outras, com o ensino introdutório em  direitos  com base na força dos movimentos sociais, normas legais e o povo como mandatário dentro do processo representativo democrático. Dentre as práticas didáticas e recursos materiais à maior instrumentalização é a palavra, o dialogo, entre educador e estudante, o docente empodera o estudante, em uma cultura de paz e não violência , para que ele se torne protagonista da sua própria história.

A esperança não é algo que remete só ao futuro mas efetivamente o agora! Entre a história das civilizações e a busca pela consolidação dos direitos humanos temos a filosofia como pensar vivo e prática do real. Ao exemplo de movimentos sociais  históricos tais como o Abolicionismo,  a Guerra de Canudos, as marchas tenentistas, das narrativas de revoluções e golpes, seguimos como nação construindo, devemos perseverar para materializar, concretizar sem revês uma democracia participativa cada vez mais representativa e extirpar mazelas como a maldita corrupção.

O direito à cidade trás a retomada do espaço social para o coletivo, para o povo alcançar uma igualdade social e respeito à diversidade cultural. ” A praça, a praça é do povo! Como o céu é do Condor!” Castro Alves.

A concepção  do direito à cidade tem se manifestado em  países europeus e aqui também no Brasil, linhas de pensamento como o ” Direito achado na rua” tem defendido o imprescindível conhecimento dos fatos históricos na conquista dos direitos pela militância de mulheres e homens na contínua busca por uma sociedade justa, igualitária e humana, ou seja, sem transformar seres humanos em mercadorias como a “maldição do Rei Midas” que transformava tudo que tocava em ouro como bem comparou Antonio Gramshi.

* Álisson Lopes é advogado, professor de História e Sociologia na SEDF, membro do Conselho de Defesa do Negro do DF e presidente da Comissão da Memória e da Verdade da OAB-DF

Um comentário em “Direito à Cidade

  • segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018 em 07:59
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    Parabéns ao prof. Alisson, pelo lindo trabalho que vem desenvolvendo.

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