‘Quero possibilitar à sociedade a ideia da transformação, do novo que se constrói coletivamente’

A advogada Alinne Marques, pré-candidata a deputada distrital em Brasília, inaugura a série de entrevistas que o Repórter Brasil Central começa a fazer com lideranças que devem disputar as eleições deste ano

Da Redação

O Repórter Brasil Central inicia a partir de hoje (27.02.18) uma série de entrevistas com pré-candidatos às eleições de outubro deste ano. Iniciamos pelos pleiteantes a cargos proporcionais. A advogada Alinne Marques inaugura esta sucessão de ping-pongs.

Alinne é filha de pai militar e mãe pedagoga. Ela nasceu em Manaus (AM), no início dos anos 80 e, aos três anos, mudou-se para Três Corações (MG), onde passou a infância, e depois mudou-se para Barueri (SP), onde passou a adolescência.

Formou-se em Administração pela Universidade Federal do Amazonas no mesmo período em que ingressou no movimento estudantil. Fez parte do DCE do curso de Administração. Formou-se em Direito pela Laureate International, na qual foi eleita presidente-representante de turma pelos quase cinco anos do curso.

A pré-candidata é espírita kardecista, razão pela qual desde muito jovem foi envolvida com causas sociais e trabalhos em comunidades carentes.

Começou a trabalhar aos 16 anos e não parou mais.

Ingressou no Movimento de Mulheres, grupos de enfrentamento à violência contra as mulheres por questões pessoais e trabalhou em parceria com Redes de Proteção às Mulheres em vários Estados da Federação.

Passou um período fora do Brasil, na Espanha, na companhia da mãe, trabalhando e estudando, e ao retornar ao Brasil ficou em Brasília, onde mora até hoje.

Alinne é autora de vários artigos científicos e reconhecida por várias entidades por seu trabalho profissional e social. É militante em defesa dos Direitos humanos em diversos setores.

Ela é advogada popular e especialista em Ciência Penais e Direito Agrário, trabalha acompanhando os mais diversos Movimentos Sociais pelo Brasil, na luta pela Reforma Agrária, pela moradia popular, pessoas em situação de rua, catadoras e catadores de materiais recicláveis, mulheres, e outros.

Alinne tenta, sempre que pode, aliar seu trabalho profissional ao trabalho social que realiza.

Integra o Coletivo de Advogadas e Advogados pela Democracia, coletivo constituído de advogadas e advogados a partir da luta contra o golpe de 2016 e em defesa da democracia.

Integra ainda o Coletivo Rosas pela Democracia, constituído por mulheres que lutam pela defesa dos direitos humanos das mulheres.

Hoje morando em Brasília, e com grande atuação nas causas sociais, lança sua pré-candidatura pelo Partido dos Trabalhadores a deputada distrital na capital do Brasil e conta com o apoio de grande massa popular desses movimentos sociais e populares.

Qual a sua expectativa para as próximas eleições?

Quando uma pessoa que é nova se apresenta como candidata para a disputa política, ela é sempre dada como impossível de ser vencida. Mas tenho convicção de que conversando com as pessoas, e estabelecendo um diálogo sobre o futuro, sobre um projeto de sociedade, sobre as perspectivas que a política pode ter pra transformar a vida das pessoas, é possível vencer.

Minha expectativa é de possibilitar à sociedade a ideia da transformação, do novo que se constrói coletivamente, assim como está sendo a construção da minha candidatura, o povo quis e eu aceitei o desafio. Tanto eu como o partido queremos que em 2018 o povo de Brasília debata saídas para a crise, afastando o ódio e medo que chegaram a níveis absurdos na sociedade.

Por que a escolha pelo Partido dos Trabalhadores?

O PT por si só não precisa de muita defesa. É um partido que tem História, que construiu a História do Brasil e de Brasília, e essa construção é uma narrativa que precisa continuar. Minha identificação com o partido vem muito da minha atuação profissional e como militante das causas sociais. Por trabalhar predominantemente com Movimentos Sociais e populares, para mim foi algo natural minha escolha pelo partido. Entendo ser o único partido com legitimidade para atuação nesse segmento.

Como analisa as eleições para presidente?

Há um cenário que foi colocado, fruto de grupos que implementam ódio e fragmentam a sociedade, em direita e esquerda, onde de um lado ficou Lula e de outro Bolsonaro. Acho que esse cenário tende a se fragmentar a medida em que mais candidaturas irão se apresentando.

Lula vai mesmo conseguir ser candidato?

Lula, sem sombra de dúvidas, é o meu candidato, é o candidato do meu partido e parcela expressiva da sociedade. A sociedade tem absorvido cada vez mais que efetivamente sofreu um golpe de Estado e que os principais partícipes desse processo além da motivação política, foram a grande mídia e o judiciário.

Várias são as expressões culturais que gritam ao mundo o que vem ocorrendo no Brasil, do golpe ao desmonte de um conjunto de políticas sociais de direitos humanos. É muito relevante que o documentário brasileiro “O Processo” de Maria Augusta Ramos, tenha ganhado o prêmio em Berlim como melhor documentário. Outro fato importante foi a apresentação da escola de samba da Tuiuti. Isso marcará a História do carnaval brasileiro.

Também é muito representativo os ataques que a UnB (Universidade de Brasília) vem sofrendo por conta da disciplina que falará sobre o golpe. Vejo isso como um fenômeno que provavelmente se estenderá a outras universidades.

Então, defender Lula e o direito de ele ser candidato, é defender o restabelecimento da democracia e um modelo de sociedade de inclusão social transversal.

Como analisa o Governo de Brasília?

Brasília encontra-se inserido num projeto de governo ao qual não se enxerga. O governo do Distrito Federal vem promovendo uma série de reformas antipopulares que atacam o direito do povo. Uma silenciosa Reforma Agrária, que criminaliza movimentos sociais, reforma da saúde, reforma previdenciária, todas medidas que atacam direitos fundamentais, e só privilegiam grupos econômicos.

Levantou a bandeira do fechamento do Lixão, como solução ao problema do Lixo em Brasília, porém o que realmente fez foi abrir uma grande chaga na cidade de Brasília, a chaga da exclusão social, da fome e da miséria. Catadores e Catadoras de materiais recicláveis do Distrito Federal estão passando extrema necessidade. O governo não cumpriu a Política Nacional de Resíduos sólidos e vem implementando uma política inversa. Centros de Triagem e coleta seletiva, agora que estão sendo implementados, quando o que a lei determina é o fechamento do Lixão após essas etapas vencidas. Os catadores e catadoras jamais foram contra o fechamento do Lixão, porém queriam apenas a garantia de que seriam inclusos na cadeia de materiais recicláveis como determina a lei.

O GDF passou anos com uma política de derrubadas de casas sem a implementação de um projeto habitacional. Víamos comunidades consolidadas há anos serem derrubadas, com a justificativa de um marco temporal de 2014 que só passou a existir em lei final do ano passado. Nem as normas de direitos humanos previstas para casos de derrubadas eram respeitadas. As pessoas simplesmente são jogadas nas ruas, sem direito a nada. Não há política de inclusão social, ou não se cumpre.

Com o discurso do “rombo econômico”, pouco se fez na saúde, na geração de emprego, na inclusão social, política para deficientes, idosos, criança e adolescentes, segurança, os problemas que ocorrem no sistema carcerário e no sócio educativo, e outras áreas.

Por que a sua escolha pela disputa para deputada distrital?

O resultado do último pleito revelou que os eleitores se aproximaram de políticos de direita ou religiosos, que durante esse período apresentaram dezenas de projetos de lei de conteúdo evangélico que só lhes beneficiam, dentre eles, iniciativas que dão anistia a dívidas de igrejas, facilitam a emissão de alvará para templos, obrigam a oferta de Bíblias em escolas públicas e privadas e concedem o título de cidadão honorário de Brasília a bispos e pastores, e outros.

Também é importante ressaltar a falta de representatividade feminina na Câmara Legislativa. Mulheres precisam ter voz nesses espaços para que suas pautas sejam levadas e fazer serem ouvidas. Não queremos ser cotas. Os 30% existem para fortalecer a chegada da mulher na política, vamos lutar pela igualdade e contra o retrocesso político.

A reconstrução do voto feminino passa de maneira transversal pela ocupação desses espaços predominantemente masculinos.

Quais as suas propostas para Brasília?

A proposta é debater saídas para a crise que Brasília vive que advém da falta de representatividade do povo na Câmara Legislativa.

Minha proposta é um projeto de desenvolvimento coletivo para a sociedade. Não quero fazer do debate eleitoral apenas um momento de auto crítica, mas fazer do debate escolhas do que é necessário para a sociedade no próximo ciclo.

Qual o papel que terá o GDF daqui pra frente? Quais serão as políticas públicas de geração de emprego? Qual o impacto da PEC do congelamento dos gastos públicos por 20 anos no GDF? Como o povo entende o fato de que durante 20 anos não haverá recursos, ou pouco recursos para se investir em programas de redução da desigualdade social? Qual a Reforma Agrária que queremos para Brasília?

Quero trabalhar para garantir a igualdade de oportunidade entre as pessoas, aproximar a relação entre campo e cidade. Garantir a dignidade da pessoa humana do catador e da catadora de materiais recicláveis. Garantir a inclusão social da pessoa em situação de rua. Possibilitar a implementação de moradias populares aos moradores de Brasília. Saúde pública de qualidade, mobilidade urbana de qualidade. Proposta de projetos de recuperação ambientais em áreas ocupadas. Trabalhar com propostas que garantam a geração de emprego e renda ao GDF.

Quero garantir a participação contínua do povo como fiscais de mandatos eletivos, das políticas públicas. Promover o empoderamento das mulheres em todas as instituições. Incentivar a participação dos jovens na construção das políticas públicas.

Por fim, defendo que todos os pilares institucionais do governo sejam construídos com a sociedade e para a sociedade como estratégia de desenvolvimento da Brasília que queremos e na construção de uma sociedade mais humana e solidária com respeito à dignidade da pessoa humana.

Um comentário em “‘Quero possibilitar à sociedade a ideia da transformação, do novo que se constrói coletivamente’

  • quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018 em 11:06
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    Excelente candidata guerreira, inteligente,jovem é isso que o Brasil precisa de candidatos que lutem pelas causas dos jovens das crianças e de todos, com garra e determinação que Deus te abençoe nessa luta chuvas de benções o Brasil merece ter como seu defensor pessoas como você. Parabéns estou com você.

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