‘Viva la Revolución’ pela educação

Por Alisson Lopes

Lendo a obra ” Viva La Revolunción “de Eric Hobsbawn , acredito ser interessante quando em seu artigo “Um homem rigoroso: Che Guevara”, é destacada a militância do homem Ernesto Guevara de La Serna,  também o mito “CHE”,e ainda hoje depois de 51 anos de seu assassinato em 09 de outubro de 1967, aos 39 anos, em La Higuera na Bolívia, são muitas as críticas e elogios ao guerrilheiro.

Deixando o ceticismo ou o romantismo em relação ao Che Guevara, o que me interessa, pelo menos neste artigo, ao invocar Hobsbawn  e sua visão do revolucionário argentino pós revolução cubana é o de que Ernesto era sistemático, rigoroso e organizado, características inerentes ao um bom educador. E isso faz com que eu me lembre uma leitura importante da minha juventude que se tornou um livro de cabeceira , a Pedagogia do oprimido do saudoso Paulo Freire, nela compreendi que o educador deve ter uma sistemática ao ensinar, uma didática marcante e que ensinar com amor não afasta a necessidade de um ou vários métodos bem definidos.

E no caminhar dos universos que cada livro aborda e nos permite perceber outras realidades ou à nossa própria , na obra de Gladstone Leonel Júnior, encontrei como tema “O Novo Constitucionalismo latino-Americano”, onde se discute o surgimento do constitucionalismo moderno como desdobramento da independência dos Estados Unidos da América em 1776 e a Revolução Francesa em 1789, onde o modelo configura o Estado como “única  entidade que pode gerar direitos e que o povo politicamente organizado pode definir regras jurídicas obrigatórias”, atende o modelo das revoluções burgueses do século XVIII.

O avançar da civilização humana , das   ciências sociais são ininterruptos, com as ciências jurídicas não seria diferente, o novo constitucionalismo povoa um  processo que se atenta com a legitimidade democrática como fator importante para concepção constitucional ,se importando com o aspecto multicultural para fortalecer, por exemplo, direitos indígenas , direitos de remanescentes  de quilombos e o reconhecimento da identidade cultural e de direitos individuais e coletivos.

Em meio a tantas leituras e considerando as posições acadêmicas percebo que o debate da educação em direitos como  também o seu contexto com as disciplinas já previstas e presentes nos currículos escolares da educação básica brasileira é fundamental para efetivar o ambiente escolar como vivência e exercício  da cidadania. Para que o jovem possa ser sensibilizado em relação a vital importância da educação , é primordial dar espírito ao conhecimento, ou seja, apresentá-la útil ao seu cotidiano, aplicável a sua realidade, permitir que o estudante utilize a educação como transformadora da sua realidade, aprendizagem que permeia suas horas, seus dias , enfim suas vidas. No dia 07 de março de 2018 , às 14h , no Ced02 do Guará I, “GG”, faremos simbolicamente uma aula inaugural do Projeto Direito à Cidade, projeto que busca empoderar estudantes em uma educação em direitos de forma introdutória, mostrando o respeito a Constituição de 1988, normas, códigos e estatutos da legislação brasileira. Semanalmente irei descrever as vivências em sala de aula neste espaço.  

Aos jovens ofereço a Violeta Parra ,música  Volver a Los 17, “Voltar a sentir profundo como um menino diante de Deus”.

* Álisson Lopes é advogado, professor de História e Sociologia na SEDF, membro do Conselho de Defesa do Negro do DF e presidente da Comissão da Memória e da Verdade da OAB-DF

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