‘Primavera nos Dentes’

Por Alísson Lopes

Segue a letra da música Primavera nos Dentes(autores João Ricardo e João Apolinário), ouvi na interpretação do grupo Secos e Molhados, no vinil homônimo, prensagem de 1973, adquirido na Funhouse Discos, do amigo Luizinho:

“Quem tem Consciência para ter coragem

Quem tem a força de saber que existe

e no centro da própria engrenagem

inventa a contra -mola que existe

Quem não vacila mesmo derrotado

Quem já perdido nunca desespera

E envolto em tempestade, decepado

entre os dentes segura a primavera”

Emblematicamente linda e lendo conjuntamente à obra República de Platão e o diálogo descrito entre ele, Sócrates e Polemarco, onde Sócrates define: “Fazer mal a alguém, Polemarco, a um amigo ou a qualquer outro, portanto, é próprio não de quem é justo, mas sim de quem é injusto”.

Inevitavelmente relacionei com a concepção de ordem social e suas definições, que é um debate constante nas aulas de Sociologia, com as presenças conceituais e considerações de pensadores como Comte, Weber, Marx e Durkheim, este ultimo considerado por muitos como pai da Sociologia.

É interessante saber como as revoluções burguesas deram a possibilidade da construção das ciências ditas sociais tais como: Antropologia, Ciência Política e a própria Sociologia, e também as suas críticas às sociedades capitalistas, ou seja, críticas à “ordem social burguesa”. Marx, em sua obra O capital, confronta as bases da sociedade burguesa e suas contradições justamente pela falta de igualdade, liberdade e fraternidade, palavra de ordem da Revolução Francesa e influência das ideias iluministas.

A ordem social, de maneira breve e simples, estabelece contratos, acordos, normas costumes, escritos ou não, e até tradições para manter um convívio harmonioso entre os entes, indivíduos, instituições na estrutura do Estado. Contudo, uma sociedade com pleno exercício da paz ainda está distante.

É para criar uma nova ordem social mundial que os Estados Unidos da América lançaram a terrível bomba atômica em Hiroshima e Nagazaki, num Japão já vencido na Segunda Grande Guerra, ali apresentando-se como novo xerife mundial à moda texana. A música Rosa de Hiroshima, autoria Gerson Conrad e Vinicius de Moraes, apela “Pensem nas crianças…”. E de fato não pensaram nas crianças ou no bem-estar de ninguém ao lançarem essa poderosa bomba de destruição em massa e no aguçar da corrida armamentista mundial.

A humanidade permanece no caminhar para aproximação de uma sociedade, espero de maneira global, com seres humanos justos, sábios e instruídos, e voltando à obra República, que há mais de 2.300 anos Platão, por meio do diálogo, buscou sensibilizar seus discípulos e sociedade à materialização de uma sociedade verdadeiramente justa.

Para encerrar essa conversa por hoje, no dia 7 de março ocorreu a aula inaugural do projeto Direito à Cidade e agradeço à coragem e competência da gestão e todos membros do Centro Educacional 02 do Guará, conhecido como GG, em acolher e permitir o desenvolver do projeto, especialmente a diretora, gestora Cynara e o vice diretor, gestor, Luiz Carlos, que representam legitimamente toda comunidade escolar numa bela gestão democrática.

Também não posso deixar de agradecer a presença do procurador do Ministério Público do Distrito Federal, afastado para exercer mandato parlamentar como deputado distrital na Câmara Legislativa do DF, o servidor público Francisco Leite, o Chico Leite. Na oportunidade ele ressaltou um dos objetivos do projeto que é de trabalhar uma educação em direitos voltada para aplicabilidade, ou seja uma práxis, na realidade local de estudantes que são moradores, em sua maioria, da Estrutural e do Guará. Lembrou sabiamente do trabalho desenvolvido pela militância da linha de pensamento do Direito achado na rua, inclusive em outras conversas comigo disse ter sido estudante de Roberto Lyra Filho, um dos pilares teóricos desta forma diferenciada de vislumbrar e propagar o direito.

Outro ilustre convidado que veio prestigiar à aula inaugural foi o professor Fábio Sousa, subsecretário de Educação da SEDF, que fez uma fala propositiva no sentido de expandir a educação em direitos, mostrando alegria e confiança no projeto local Direito à Cidade e também ao projeto Falando Direito, como possibilidade de agregar toda rede pública de ensino do DF.

A diretora Cynara, às vésperas do Dia Internacional da Mulheres, 8 de março, agradeceu a presença de todos os presentes e encerrou o importante momento que teve a presença de 150 estudantes da instituição, ela e sua equipe colocaram em prática uma gestão inovadora e de vanguarda na educação em direitos para formação cidadã da comunidade escolar.

O GG já apresenta bons índices educacionais e com o projeto Direito à Cidade, e tantos outros já vigentes, a tendência é sempre melhorar. A instituição tem uma equipe qualificada e comprometida disposta ao desenvolver de projetos que otimizam a relação ensino aprendizagem . É a escola pública atuando, ontologicamente, plenamente sua função como uma máquina libertadora de fazer democracia lembrando a expressão do saudoso Anísio Texeira. Até a próxima aula com esperança e fé em dias melhores! Abraço fraterno,

Álisson Lopes.

   

 

Um comentário em “‘Primavera nos Dentes’

  • segunda-feira, 12 de março de 2018 em 16:45
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    Um dos grandes desafios da escola, pública ou privada e trabalhar com os temas transversais, do cotidiano do aluno. Está proposta do professor Alisson ( embora eu não estivesse no evento) caminha neste sentido. Parabéns professor.

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