1° de abril de 1964 não é piada

No dia 31 de março de 1964, 01 de abril poderia ser considerado uma piada sem graça. O processo democrático é interrompido, em seguida brotam os atos institucionais e o obscurantismo da falta de transparência no controle social, as décadas posteriores são marcadas por tentativas constantes de apagar a memória política e também seus atores mais progressistas.

O processo educacional sofre um baque irreparável, bem característicos dos estados de exceção. Em meio a tantos absurdos, em nome de combater uma ameaça comunista o país é forçado a manter-se calado num consenso intelectualmente nefasto para o desenvolver de uma educação básica realmente emancipadora, considerando destacar que vozes destoantes se posicionaram contra rapinagem do livre pensar mesmo sob pena de deixarem de existir materialmente por conta disso.

No livro “João Goulart, uma biografia” de Jorge Ferreira, logo na introdução ele nos faz vislumbrar algumas correntes historiográficas que aparentemente descredenciam a vida política e liderança de Jango, como também era conhecido o presidente deposto em 1964. Logo devo socializar que vejo João Goulart como uma das lideranças civis com tradições trabalhistas e que evitaram uma guerra civil no Brasil ao não resistir ao traiçoeiro golpe sofrido.

Ferreira nos chama atenção ao escrever que Jango representava de certa forma uma política getulista e que vinha de uma geração nacionalista, com crenças na defesa da soberania nacional. Esta geração que defendia a ampliação dos direitos sociais dos trabalhadores do campo e das cidades avessa aos modelos privatistas e entreguistas, geração do “O petróleo é nosso”. Jango não acompanhou ao posicionamento de Brizola, este que faz falta na vida política, em resistir com armas a esta abrupta interrupção do sistema democrático do Brasil. Não existe “Se” na história, percebo que o posicionamento emblemático do então presidente Jango foi por acreditar que uma guerra fratricida se avizinhava, ele não tinha como prever a longa ditadura que se estabeleceria e os graves atentados aos direitos humanos que aconteceriam. Penso eu que Jango não foi covarde, foi coerente com sua postura política.

Não devemos, não podemos abrir mão do controle social e de exigir a transparência na gestão das coisas públicas deste país, que constitucionalmente tem previsão na Carta Magna, na carta das liberdades, promulgada de 1988. Cercear liberdades, não cumprir a lei de acesso de informação, é mais do que um desrespeito a constituição brasileira: é um atentado à própria democracia.

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