‘Minha luta é pela pela dignidade, igualdade e respeito’

O publicitário Alexandre Lira, pré-candidato a deputado federal pelo Avante, defende ainda a cidadania e a diversidade

Por João Negrão

Mais dignidade, mais igualdade e mais respeito é a luta do publicitário Alexandre Lira, pré-candidato a deputado federal pelo Avante. Dando sequência à série de entrevista com os pleiteantes proporcionais nas eleições deste ano, o Repórter Brasil Central conversou com ele sobre suas propostas para a Câmara Federal e sua luta pelos direitos dos LGBTIs. Homossexual assumido, ele conta o que pretende fazer pelo público que defende. Mas seu olhar também estará voltado para todos os discriminados e menos favorecidos.

Alexandre Lira com Lucas Kontoyanis, vice-presidente do Avante do Distrito Federal

Quem é Alexandre Lira?

Sou um rapaz latino-americano. Tenho 25 anos e muitos sonhos. Trabalho como empresário no ramo publicitário. Nasci em Araioses, no Maranhão, onde passei boa parte da minha infância. Resido atualmente em Taguatinga, com minha mãe e uma irmã. Sou solteiro e sem filhos. Minha mãe é professora no Distrito Federal e meu pai é servidor público no Estado do Maranhão. Minha religião é espírita, sou homossexual assumido. Nos tempos livres pratico futebol, faço trabalhos voluntários e estudo sobre políticas públicas.

“É necessário sempre denunciar e acionar os órgão policiais, pois qualquer atentado à vida ou integridade física de qualquer pessoa é um crime, seja ela lésbica, gay, trans, travestis ou qualquer gênero ou orientação sexual”

Fale sobre sua militância LGBT.

Alexandre Lira com Kyara e Hamsés Gomes, ambos pré-candidatos a deputado distrital

Milito há alguns anos no movimento LGBT. Compreendo que é necessário batalhar por respeito a diversidade de gênero, contra a violência, a LGBTfobia e por garantia de políticas públicas, especialmente saúde, para este público que ainda é muito marginalizado no Brasil. Na Câmara Federal quero me juntar aos homens e mulheres que defendem um Brasil sem preconceito e discriminação, que lutem por nossos direitos, não apenas dos LGBTs, mas de toda a sociedade.

Fale sobre a organização do movimento LGBT no Avante.

O Avante é um partido que preza pela defesa da cidadania e da diversidade. Quando fui convidado a presidir a Diversidade do Avante, foi me dada toda a liberdade para organizar este departamento partidário e empreender as lutas reivindicatórios do público que represento.

O que significa para o Avante a criação de um órgão para tratar da questão da diversidade?

Significa que o partido ter um olhar visionário voltado para o público LBT, sendo este um dos poucos partidos políticos que tem a sensibilidade de tratar o tema com respeito.

Qual o trabalho que você vêm desenvolvendo?

Nosso trabalho dentro do Avante é a organização do departamento em todos os seus âmbitos distrital e federal, além de conscientizar filiados, parlamentares e dirigentes da necessidade de abraçar as causas de nosso público. Também participo de congressos, palestras, cursos a respeitos do tema LGBT, roda de conversas nas cidades do Distrito Federal e oficinas itinerantes em comunidades carentes do DF.

Quais as iniciativas para enfrentar a intolerância e a LGBTfobia, entre outras ações contra o ódio?

É necessário sempre denunciar e acionar os órgão policiais, pois qualquer atentado à vida ou integridade física de qualquer pessoa é um crime, seja ela lésbica, gay, trans, travestis ou qualquer gênero ou orientação sexual. Paralelo a isto, necessitamos da criação de leis mais rígidas contra pessoas que cometem atos violentos ou racistas contra esse público. Também é preciso de mais orientações nas escolas a respeito do tema LGBTI.

Por que você é pré-candidato a deputado federal?

Eu sou pré-candidato porque, como já mencionei acima, para lutar pelos direitos do nosso público e pelos direitos de todos os brasileiros, com foco na defesa Cidadania e Diversidade, o bem-estar social, do desenvolvimento econômico, por educação de qualidade e saúde humanizada. Eu penso que nosso país precisa se reencontrar em sua paz, que todos os brasileiros pensem o Brasil de igualdade, de respeito às diferenças e mais dignidade. É por isto tudo que quero lutar na Câmara Federal. Minha luta é pela dignidade, igualdade e respeito.

Alexandre Lira com Ângela.pré-candidata a deputada distrital

Como você analisa a atual situação política do Brasil?

Muito precária. Eu sinto que a crise política e institucional que vivemos é reflexo de um clima de ódio político muito grande e que envolve toda a sociedade, com as pessoas lutando pela paz e outras estimulando o ódio, especialmente contra o público LGBT. Esta intolerância parece ser estimulada para nos dividir. E todo nós sabemos que quando querem dominar um povo uma das coisas que fazem é dividir esse povo, jogando uns contra os outros, os que pensam diferente, jogando amigos contra amigo, irmão contra irmão e pais contra filhos. Me preocupa muito este clima. Precisamos superar isto imediatamente, pois senão corremos o risco de degenerar cada vez mais o nosso tecido social. Por outro lado, vivemos um momento difícil em relação à garantia do estado democrático de direito e, por esta razão, da própria democracia brasileira.

“A Constituição Federal é clara no artigo 3º, inciso IV, onde diz: ‘Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação'”

É muito ódio e intolerância…

E contra não apenas aos LGBTs. A sociedade atual está com preconceito enraizado, visto que a nossa cultura segue um “modelo-padrão”, sendo assim todos aqueles que estão fora desse modelo são obrigados a se adequarem. O Brasil ocupa o primeiro lugar na quantidade de homicídios de LGBTS das Américas. A Constituição Federal é clara no artigo 3º, inciso IV, onde diz: “Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. E também no artigo 5º. A promulgação de uma lei que criminaliza o ato da homofobia é nitidamente viável e plausível se o intuito for combater a violência e a o ato de intolerância mesmo que em oratória, afinal qualquer ridicularização ou ação indevida que corrobora para um desrespeito e exposição de qualquer indivíduo não é admissível.

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