Porque não sou candidato

Por Álisson Lopes

Desde que comecei a escrever a coluna Direito à Cidade, algumas pessoas vêm perguntando se sou pré-candidato nas próximas eleições. Isso me intriga um pouco. Aliás, vou responder logo: não sou candidato a cargo eletivo nenhum.

A velha política deixa esse estigma na efervescência política e na militância cidadã. Como o cenário político atual não inspira muita confiança, muita gente, muita gente boa, numa representação do senso comum, acredita que todas as pessoas envolvidas na política são oportunistas, desonestas e os que pretendem entrar querem fazer mais do mesmo.

Pois penso um tanto diferente em relação a isso. Tenho muitas amigas e amigos prontos para fazerem diferença num pleito legislativo, portanto apoio. Já tenho meus candidatos em mente para a eleição de 2018, lembro de todas e todos que votei em todas as vezes que compareci para exercer minha cidadania na hora do voto.   

Mas é preciso atentar para quem vem pedir o seu voto. Quem for eleito tem que legislar e governar para todas e todos, bancada “disso” ou bancada “daquilo” só levou o país para o cenário temeroso atual. Ser ficha limpa, faço uma pequena analogia e  lembro de algo comentado em minha família quando eu era aprovado na escola em minha infância “Não faz mais do que sua obrigação”, ser ficha limpa é obrigação, precisamos mais do que isso, precisamos de pessoas que estudem a realidade que compreendam  que é a diversidade que faz desse país continental único e ainda que tenham vivência na realidade das ruas, que saibam da dor e cicatrizes do povo.

Não sou candidato, porque a minha missão histórica é servir e ajudar a formar os que estão vindo para governar , a nova geração,   os estudantes , essa geração que chega chegando, vou servir , vou dialogar, vou me expor para que em alguma dimensão eu possa colaborar na formação do povo brasileiro, só tenho tempo para isso. Minha missão primeira , fora do trabalho, é minha família.

Meu pai foi acometido por um câncer impiedoso, lutou anos contra esse ignóbil inimigo , mas foi levado de mim , quando eu tinha 11 anos. Quando entrei mesmo na adolescência , senti muito sua falta, tive amparo em minha família , minha mãe demonstrou a força da destemida mulher nordestina , forte e presente,mas mesmo assim eu não tinha uma memória dele, especialmente sobre as coisas do mundo. Espero viver muito, mais quero deixar um pouco de mim em cada artigo , para quem sabe em um futuro que eu não esteja mais aqui, outras gerações leiam e meus descendentes saibam que nasci e vivi , e antes de percorrer a distância entre nascer e morrer, demonstrar que pensei e repensei o mundo e o tentei transformar um pouquinho creio eu para melhor.

Segue um texto incidental …

O sol é para todos

O sol de ofício abrasa as costas do trabalhador, É arguto o que se esquiva da eficiência solar nos momentos mais radiantes em terras terrestres.  Na vida que aprendi nos quartéis em baixo do sol, aqueles que me quebraram, me domesticaram com doutrina e dor, tinha como mantra em suas paredes e bocas de falas e corpos  de fardas que “ o sol é para todos e as sombras para alguns”; É arguto o que se esconde nas sombras e que deixa a maioria ao sol? É infeliz o que se reflete ao sol sem esquiva e pago pelos vendedores de tranquilidade e subordinação?

Admito, nunca fui um exímio vendedor de nada, o sol é companheiro de muitas horas,  já me iludi e iludi uns tantos em matutar em vender ideias, entretanto, em meio a tantos contratempos, faz um bom tempo que socializo meus sonhos, para junto com outros e também seus sonhos, tornarem tudo esperança, assim numa dialética epidêmica.

A crise de representatividade não atenta só contra andrógina democracia,  fenômeno frágil e rarefeito, na história dos seres humanos, mas a fé na retidão humana rumo ao progresso progressista, ética uns com os outros,  e ataca também a outra via natural, aquela que serpenteia pelo caminho em busca de um raio de sol, a evolução, sim a revolução da vida. A insistente ameaça de sistemas homogêneos de dominação confrontam a grandeza diversa da humanidade e a própria revolução que é a vida .

O sol é vida e morte nas costas de quem ele abraça. A sujidade de quem usa o sol como instrumento de sevícia é também a que destrói a crença na solidariedade. Acredito em uma força maior fraterna  e ela é solidariedade e sol; Se tu esperas fórmula para vida, acomoda-te na longa fila de espera, porque em determinado momento tudo que você acredita pode não fazer mais sentido ou parecer perdido; Aí, meu pobre, não haverá razão para você, ou então numa explosão de vida reaja, mostre tua intuição agora, tua metafísica ou a tua pura razão,  é assim que se acha o caminho.

 

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