Hannah Arendt para todas e todos

Por Álisson Lopes

Em tempos de nefastos discursos ideológicos de ódio e uso do terror, recomendo a leitura da obra Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt. A escritora demonstra historicamente o uso da ideologia como arma política e não como doutrina teórica, pois o aspecto científico nesta perspectiva de dominação é secundário.  

Uma liderança política que pretende vencer um pleito eleitoral semeando desunião numa nação deveria ser banido da política. O totalitarismo seja de direita ou esquerda não pode ter mais espaço, fere o humanismo. Uma liderança se constrói como uma força coletiva, com proposições e agregando segmentos sociais.

O vociferar de discursos segregacionistas parece tomar o palanque de certos politiqueiros em nossa nação. Apontar e culpar pessoas e grupos, criar um inimigo e instigar a intolerância é o jeito fácil de pretensos candidatos aos mais variados cargos políticos angariarem votos dos descontentes com a política representativa atual. Não podemos esquecer de Ghandi, de Mandela ,de Luther King, de Betinho, que viveram contra essa lógica desumanizadora, escolheram e influenciaram milhões em todo o mundo para trilharem o caminho da paz e não violência.

Ser candidato não é concorrer a um concurso público, não é pensar em prerrogativas e privilégios. Aliás, um político em qualquer esfera de poder deve agir com transparência, eficiência, abrir mão de verbas indenizatórias, reduzir verbas de gabinetes ao mínimo necessário, não fazer gasto com publicidade para divulgar o mandato. Enquanto uns parlamentares eleitos gozam de prerrogativas e bonança, brasileiras e brasileiros sucumbem em portas de hospitais peregrinado por atendimento. Quando um político viaja ao exterior com dinheiro do contribuinte se afasta da promessa de servir ao povo, explora quem ele deveria representar.

Texto incidental I:

Crônica de um Berimbau

Prezados companheiros e camaradinhas,

           O que vou compartilhar é verdade, mas que cada um acredite na verdade que achar melhor. 
           Um não tão jovem capoerista, estava a muito afastado das rodas de capoeira, a tempo suficiente para esquecer o axé que ela emana, então foi convidado a participar de uma roda num terreiro já conhecido e reconhecido. Foi com medo, preguiça e dúvida. O medo é por estar fora de forma e não aguentar um jogo mais duro, a preguiça de sair da rotina e a dúvida de praticar a capoeira ou abandonar.
            Mas chegando ao terreiro, o cheiro de incenso, foi uma recepção mágica, o toque do berimbau, instrumento de ligação transcendental, avisou ao plano espiritual do jogo de capoeragem. Eram bambas jogando, os melhores, foi então que o desanimado capoeira, entra no jogo. Como é bom lembrar, ele pensou, seu jogo o levou a um transe, o tim tim , dom dom, do berimbau, fez ele sentir o ijexá, o som oferecido aos orixás, respeitando o tim tim do berimbau , soltou seu golpes antes do som do dom dom, assim entre as pausas do som ele soltava seus golpes e gozava o som do ijexá.
            Seu jogo foi uma oferenda, ele começou jogando com a música, mas em transe, ele é a música, antes ele queria nadar como peixe, agora ele era a água. Após o jogo, seu espirito esta renovado, a capoeira é água de beber camará, água  benta de beber. 
            Capoerista experiente, é como macaco velho e esperto não bota a mão na combuca. Não entra em qualquer roda, não senta de costas para porta, não usa roupa dos outros, e luta quando tem que lutar, mas se retira da querela quando tem que se retirar, sabe chegar e sabe sair. 

Texto incidental II:

Uma casinha feita de felicidade

Às vezes sonho com um casebre de portas de madeira e cheiro de mato no quintal, onde existe um cachorro amigo que só ladra com estranhos. Nesta casa simples, existe um misterioso ritual de se receber amigos e familiares todos os sábados para comer feijoada . Logo depois jogar-se nas redes espalhadas pela varanda colocando-se a papear interminavelmente sobre religião, política e música. A casa é cheia de quartos com o chão feito em cimento queimado vermelho, o teto é forrado de madeira, as telhas são coloniais feitas de barro. A janela da frente se abre para rua deixando entrar os raios do sol do final da tarde, enquanto se espalha por toda parte o cheiro de café vindo da cozinha feito na hora. O jardim tem plantas contra dor, mau olhado e as espadas de São Jorge se espalham ao redor da casa formando um cercado contra as forças do mal. Essa casa a qual sonhei, sempre volta em minha memória. Posso ouvir o trovão que antecede a chuva, o aroma que vem com a brisa e o vento. O barulho da chuva, da biqueira quando a água escorre pela calha e chega até ela. Lembro que atrás da porta da frente tinha uma firmeza com carvão e água para não deixar a negatividade invadir, enquanto no portão da frente tinha uma ferradura pendurada, para trazer sorte e somente pessoas amigas. O segredo desta casa humilde e preciosa era a felicidade que pairava por lá.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *