Crise migratória e visita do vice dos EUA estão entre os temas da coluna de hoje de Ana Prestes

Barco com migrantes à deriva escancara legado europeu na África

A história é implacável e o legado da passagem dos europeus pela África agora bate às portas – ou aos portos – da Europa. Já faz cinco dias que um barco com 234 imigrantes está a deriva no mar Mediterrâneo, próximo a Malta, sem porto onde ancorar. As condições humanitárias da embarcação são degradantes, há crianças pequenas sem pais, falta comida e roupas secas, segundo relatos da ONG LifeLine responsável pelo resgate das pessoas que tentavam atravessar o mar rumo à Europa. Nem Malta, nem Itália, nem França e nem Espanha se pronunciaram sobre a embarcação. Um outro navio, este cargueiro, também da LifeLine, com 108 resgatados a bordo foi permitido a aportar na Sicília, na Itália, após 6 dias esperando no mar.

Pence chega ao Brasil de olho na base de Alcântara

Mike Pence, vice-presidente dos EUA, está no Brasil. Tem agenda hoje (26) em Brasília e amanhã em Manaus. Do Brasil segue para o Equador e em seguida para a Guatemala. Um dos temas fortes da agenda com todos os países visitados é a continuidade da tentativa de isolamento da Venezuela na América Latina. Autoridades brasileiras tentarão abordar questões polêmicas como o aumento da taxação sobre a exportação do aço para os EUA e a separação de crianças brasileiras dos pais que tentam migrar para o país de Trump. O acordo sobre a utilização norte-americana da base de lançamentos espaciais de Alcântara será tratado dentro de um acordo quadro mais geral de cooperação aero-espacial. Pence fará visita a centro de acolhimento de migrantes venezuelanos no Amazonas como tentativa de “mostrar ao mundo” que a Venezuela precisa de intervenção por não conseguir conter a migração de seus cidadãos, sem apontar, é claro, que a Venezuela tem sofrido sanções econômicas pesadíssimas, impulsionadas pelos EUA por motivação política.

Migrantes na pauta do giro pela América Central

Na Guatemala, Pence ouvirá um pedido das autoridades guatemaltecas de concessão do status de proteção temporária (TPS) para migrantes da Guatemala que entram nos EUA. O TPS seria para aliviar a pressão nacional sobre o governo após a tragédia provocada com a erupção do vulcão Fuego. Recentemente os norte-americanos tiraram o TPS de quase 60 mil hondurenhos e suas famílias que vivem nos EUA e que migraram para lá após a passagem do furacão Mitch pela América Central em 1998. Famílias salvadorenhas também perderam o TPS há poucos meses. El Salvador foi arrasado com dois grandes terremotos em 2001.

Moreno pode ‘negociar’ Assange

No Equador, Pence reforçará uma parceria que tem crescido no último período ao tempo em que Lenin Moreno vai enterrando pouco a pouco a herança do governo de Rafael Correa. Para agradar a Trump, Moreno já demarcou com a Venezuela (deixando inclusive de defender sua soberania na OEA), quer se livrar de Julian Assange e endureceu com os conflitos na fronteira com a Colômbia. Permitiu ainda, a partir de 25 de abril, em memorando de entendimento com os EUA, que a DEA e o Departamento de Imigração dos país norte-americano atue em território equatoriano em uma Unidade Investigativa Criminal Transnacional. É bom lembrar que em 2009 Rafael Correa havia conseguido fechar a base militar americana de Manta.

Controle migratório, antes de tudo um negócio

A política de “tolerância zero” e o controle migratório quase midiático de Donald Trump dá dinheiro. Os centros de detenção que agora vemos com frequência pela imprensa são administrados pela iniciativa privada. Com a recente decisão de Trump de que as crianças sejam reunidas às suas famílias detidas, os negócios poderão aumentar, pois os centros precisarão ser ampliados e melhor equipados. Só uma das ONGs que cuida dos abrigos, a Southwest Key Programs espera receber em 2018 cerca de 500 milhões de dólares, de acordo com dados da Bloomberg.

– Para além das instalações administradas pelas ONGs milionárias, o governo dos EUA anunciou que instalações do exército também passaram a abrigar os migrantes detidos na fronteira.

Diálogo é retomado na Nicarágua

Na Nicarágua, após mais um fim de semana de muita violência, foi retomada ontem (25) a mesa de diálogo e negociações entre governo e oposição mediada pela igreja católica. Governo ainda não se pronunciou sobre um pedido que está sobre a mesa de antecipação das eleições presidenciais inicialmente previstas para 2021. O número oficial de mortos, desde que o conflito começou em 18 de abril, já é de 206. Este número contrasta com o número apresentado pela CIDH na última sexta (22), em que aparecem dados de 212 mortos, mais de 1300 feridos e 500 detidos. Em barricadas montadas na UNAN (universidade nacional autônoma da Nicarágua) os estudantes encapuzados não parecem saber bem pelo que lutam. Em resposta a um jornalista da France Press, um deles respondeu: “Nossa luta é por tudo”. Chegam hoje a Manágua funcionários do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos. Já há técnicos da CIDH no país.

Muharrem Ince reconhece vitória de Erdogan

Principal adversário de Erdogan na eleição presidencial da Turquia, Muharrem Ince, que ficou com 31,6% dos votos, reconheceu a vitória do atual presidente para mais um mandato presidencial. O reconhecimento aconteceu mesmo em meio a diversas acusações, inclusive de observadores europeus do pleito, de privilégios à campanha de Erdogan, condições desiguais de campanha para adversários e injustiça com forças opositoras. Aliança com a extrema direita foi fundamental para a reeleição de Erdogan no último domingo.

UE anuncia mais sanções contra a Venezuela

A União Europeia anunciou nesta segunda (25) mais sanções contra autoridades venezuelanas e contra o comércio de produtos europeus com o país. Entre as autoridades sancionadas com proibições para viagens e transações financeiras está a nova vice-presidente do país, Delcy Rodriguez. Em reunião de seus chanceleres, o bloco europeu considerou como fraudulentas e antidemocráticas as eleições venezuelanas realizadas em maio.

Violência pré eleições no México

Nos dias que antecedem a eleição presidencial que pode eleger o candidato da esquerda López Obrador presidente do México, segue a onda de violência que já é marca registrada do processo. Mais de 100 políticos foram assassinados desde o início da campanha eleitoral. Ontem (25) mais um candidato foi assassinado, Emigdio López Avendaño, do partido Morena e postulante a deputado por Oaxaca. Quatro dos seus acompanhantes também morreram, em uma emboscada contra o carro que os transportava. Outro incidente que chamou a atenção foi o roubo de 11 mil cédulas da votação em um assalto armado no estão de Tabasco.

Força Militar de Reação Europeia para quê?

Macron vem cumprindo uma promessa feita em setembro de 2017, a de criar uma Força Militar de Reação Europeia por fora da União Europeia. Nove países estão envolvidos. Além da França, estão Espanha, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Holanda, Portugal, Dinamarca e Estónia. A Itália, que inicialmente estava no núcleo central do plano, ficou de fora depois das últimas controvérsias com o governo francês. A iniciativa vem à margem da cooperação já prevista pelo Tratado da União Europeia que é a PESCO (cooperação permanente estruturada em matéria de defesa), ao mesmo tempo em que é facultado a um grupo de estados membros da UE coordenar seus objetivos em âmbito da segurança. Analistas veem a iniciativa coincidindo com um momento de alta tensão dos países europeus em especial com o norte da África e o endurecimento das políticas migratórias. Do que mesmo estão se defendendo os Europeus?

Harley-Davidson foge à guerra

A guerra comercial imposta por Trump também tem feito vítimas nos EUA. A tradicional empresa de motocicletas Harley-Davidson, anunciou que vai levar parte de sua produção para fora dos EUA. O objetivo é escapar das tarifas apresentadas pela União Europeia de 31% (antes eram 6%) sobre os produtos da fábrica americana. A medida é uma retaliação às tarifas estabelecidas por Trump para produtos europeus.

– No Uruguai, estudantes e professores continuam mobilizando e ocupando escolas e universidades pelos 6% do PIB para a Educação.

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