Golpe de 2016 faz escola e estimula ações de reacionários

Conspiração que derrubou o governo Dilma inspira novos golpistas em espaços públicos de convivência entre cidadãos, como escolas e condomínios

Da Redação

Numa escola do Distrito Federal há uma renhida luta pelo poder. A nova direção escolar enfrenta uma ferrenha oposição de professores, corpo técnico e pais descontentes com os rumos que o diretor e sua equipe vem dando na unidade pública de ensino. Só que, invés de esperar o término do mandato atual e aguardar a nova eleição para tirar o diretor via voto, os oposicionistas empregam todo tipo de manobras para derrubar a direção. Desde denúncias de corrupção, passando por casos de assédio moral, até identificação de desvios contábeis, tudo tem sido usado contra o diretor.

O assunto foi parar na Secretaria de Educação do Distrito Federal, que pressionada promete apuração, que corre sob sigilo. O caso tornou publicidade entre a comunidade escolar, que se dividiu ao meio entre os que defendem e os que refutam a direção da escola. “O que assistimos aqui é o mesmo que vimos recentemente em nosso país: um clima de ódio, um denuncismo desenfreado e o assassinato de reputações, tudo para a conquista do poder”, disse um professor. “Esses esquerdistas da direção querem que nossos filhos sejam doutrinados. São os mesmos esquerdistas que defenderam os governos do PT”, rebateu um pai de aluno.

“O golpismo praticado contra o governo da presidenta Dilma Rousseff serviu como exemplos para outros setores mal intencionados da sociedade brasileira”

Num condomínio do Noroeste, um bairro de classe média da capital federação, situação semelhante aconteceu. O síndico local sofreu toda sorte de investidas contra sua administração no prédio. A começar, suas contas foram devastadas até que se encontrasse o que se chamou de um indício de erro contábil, que logo foi transformado num “crime” espalhado aos quatro ventos dentro e fora do ambiente físico do condomínio, tendo grupos de WhatApp e outras ferramentas da internet empregados sistematicamente para desmoralizar o síndico e derrubá-lo do cargo. Alguma semelhança com o que aconteceu com a presidente Dilma Rousseff?

Pedaladas?

Segundo denúncias de moradores que não concordaram com as manobras, um conselheiro e a nova síndica forjaram uma nova contabilidade do condomínio e usaram do expediente de calunia e difamação para justificar a destituição do síndico. Pedaladas? “O golpismo praticado contra o governo da presidenta Dilma Rousseff serviu como exemplos para outros setores mal intencionados da sociedade brasileira”, afirma o morador.

Corrupção à vista: o modus operandi pode se repetir. Da mesma forma que forjaram a contabilidade para golpear o antigo síndico, podem usar do mesmo expediente contábil para enganar os moradores e desviarem recursos do condomínio”, alerta um ex-morador, que, indignado “com tanta treta”, acabou se mudando do condomínio. “Desmoralizaram o antigo síndico, tentaram assassinar sua reputação”, complementou.

Os moradores locais, contrários às investidas contra o antigo síndico e até mesmo alguns que inicialmente apoiaram o golpe, mas agora estão arrependidos, relatam situações insustentáveis que a nova síndica e um de seus conselheiros vêm provocando. A primeira das mais graves foi reajustar em cem por cento a taxa de condomínio. Depois promoveram uma demissão em massa de funcionários, recontratando novos com salários baixos e com acúmulo de funções. O resultado foi a queda na qualidade sos serviços no condomínio, prejudicando a qualidade de vida e a segurança dos moradores.

As medidas foram empreendidas sob a alegação de serem necessárias para renegociação de dívidas deixadas pelo antigo síndico, que refuta todas as acusações e alegações. Segundo ele, houve uma negociação errada das dívidas antigas e a inclusão de outras dívidas que nunca existiram. A demissão em massa também gerou um custo com dívidas trabalhistas desnecessárias, já que os funcionários cumpriam a contento suas tarefas e eram, segundo ele, todos necessários para o bom funcionamento do condomínio.

“A nova síndica aumentou a vigilância e perseguição aos moradores, com o uso de normas invasivas desnecessárias. O prédio hoje vive um verdadeiro estado de exceção contra quem tente desafiar a nova síndica e seja considerado seu desafeto.”

O resultado no corte no número de funcionários e na desvalorização e sobrecarga dos novos pode ser visto a olhos nus por moradores e visitantes: baratas, outro insetos e até roedores transitando por corredores. Além disso, a piscina, localizada na cobertura do edifício, vem recebendo quase que diariamente alguns frequentadores alienígenas: os urubus, que passam por lá para beber a água, descansar e tomar um pouco de sol.

Estado de exceção

Não bastasse tudo isto, a nova síndica tem agido de forma autoritária com moradores, funcionários e visitantes, com atitudes que beiram o assédio moral. “A nova síndica aumentou a vigilância e perseguição aos moradores, com o uso de normas invasivas desnecessárias. O prédio hoje vive um verdadeiro estado de exceção contra quem tente desafiar a nova síndica e seja considerado seu desafeto. Ela usa de atitudes caprichosas e inconvenientes como a exclusão do grupo de WhatsApp contra estes moradores. Alguns moradores não suportaram as novas exigências e mudaram do prédio”, descreve uma moradora.

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