Mais infraestrutura, mais progresso

Por Carlos Naves

A questão da infraestrutura de transporte é um dos gargalos do desenvolvimento nacional, em geral, e de Mato Grosso em particular. Nosso estado, o terceiro do país em extensão territorial, com seus mais de 900 mil quilômetros quadrados, carece de muitas e boas estradas, de ferrovias e do uso de seu potencial hidrográfico. Aqui, já que estamos de recurso hídricos, atentemos também para a produção de energia. Aliás, a infraestrutura energética é outras de nossas carências, um dos graves entraves ao progresso nacional e mato-grossense.

Não faz muito tempo – coisa de 25-30 anos atrás – tínhamos mais da metade do Estado vivendo às escuras, dependendo de termoelétricas, sucateadas e deficitárias. O mesmo acontecia em relação às nossas rodovias, boa parte de terra e verdadeiros atoleiros na época das chuvas e poeira sem fim na época da seca. Em comum, em qualquer época do ano, e em qualquer situação (pavimentadas ou não) eram os buracos, a falta de sinalização, de duplicação e algumas delas levando a lugar nenhum. Resultado: mortes e mais mortes; transtornos infinitos e o encarecimento do frete para escoamento da nossa produção.

As consequências todos sabemos: encarecimento de toda a economia. Qualquer pessoa com ligação direta ou não com a produção agrícola em todos os seus módulos – do agronegócio à agricultura familiar – sabe que não basta apenas plantar e colher. É preciso fazer chegar a produção em seu destino, seja nas centrais de abastecimento que levará à mesa do cidadão, seja nos portos para ganhar os mercados internacionais. Para tanto, é necessários boas estradas.

Mas não é só. Todos sabemos que mesmo em estradas de boa qualidade, nossa competividade ainda corre riscos. Em outros países que disputam em pé de igualdade conosco o mercado mundial de alimentos há a vantagem de não apenas uma malha rodoviária descente, como também uma rede de ferrovias eficiente. Os Estados Unidos, que investem fortemente em ferroviais desde o século 19, é o mais cabal exemplo.

É triste constatar que estamos atrasados mais de um século e meio que nossos concorrentes em termos de modais de transporte. A nossa dependência quase que completa do transporte rodoviário. Em todos os países desenvolvidos do mundo, a prioridade ao transporte ferroviário, interligado com os demais modais acontece há mais de 150 anos. A matriz de transportes brasileira dá preferência para veículos automotivos, estimulando o uso de carros e caminhões e favorecendo a indústria automotiva.

Para sairmos deste atraso, precisamos de uma maior interligação do território nacional e mato-grossense de forma mais rápida e mais barata e o transporte ferroviário cumpre esta função. Desenvolvimento da malha ferroviária brasileira, principalmente para trens de alta velocidade, é uma grande necessidade. Precisamos pensar nos modais, não desprezando totalmente as rodovias, mas possibilitando o uso delas integrado às ferroviais e também às hidrovias.

O Brasil tem um enorme potencial hídrico que precisa ser melhor aproveitado tanto no transporte de passageiros quanto, e especialmente, no de cargas. Hoje temos muitas hidrovias em funcionamento, mas é possível melhorar as já existentes e ampliar o número delas. Todos os grandes países, especialmente a Rússia, a China, os Estados Unidos e Índias, que são os que, ao lado do Brasil, possuem maior extensão territorial, priorizam o transporte ferroviário e aproveitam os potenciais de seu recursos hídricos para promoverem um transporte barato e eficiente, especialmente o de cargas, mas também de passageiros.

É preciso um esforço nacional para recuperar e ampliar a nossa malha ferroviária e integrá-la aos outros modais, não desprezando, logicamente, a importância da nossa malha viária. Penso que esta é uma das tarefas principais dos que pretende ser representantes do povo no Congresso Nacional. Por esta razão, acredito que é necessário empreender este debate.

* Carlos Naves é advogado e candidato a deputado federal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *