Viagem pela história da música caipira

Macedo e Mariano apresentam série de shows em que interpretam clássicos sertanejos de raiz. 
O encerramento do projeto ocorre nesta semana, na Estação Central do Metrô, no Plano Piloto
Fim de tarde. As pessoas caminham apressadas em busca de um lugar no vagão do trem. De repente, um som diferente para aquele cenário chama a atenção. Ao menos por um instante, os acordes e melodias entoados pelos violeiros detêm o ritmo das passadas, fazendo surgir aplausos a cada canção. Essa é a rotina básica do projeto “Recorte Histórico da Música de Viola Caipira”, em que a dupla  Macedo e Mariano apresenta clássicos do gênero. Os últimos shows ocorrem nesta semana, na quarta e sexta-feira (19 e 21 de setembro), na Estação Centro do Metrô, no Plano Piloto, a partir das 17h, com entrada franca.
O projeto passou antes por Taguatinga (5 e 6 de setembro) e Ceilândia (dias 12 e 14). Quem parou para conferir as apresentações ouviu um repertório que inicia com a primeira canção de viola caipira gravada em estúdio fonográfico – “Jorginho do Sertão“, do compositor Cornélio Pires, de 1929 – e atravessa oito décadas seguintes, oferecendo um rico panorama da evolução de um estilo musical marcante da identidade cultural do país. Além disso, Macedo e Mariano completam o show com sete composições autorais do disco de estreia da dupla – “Conversando com a viola”, lançado em 2015.

“A motivação para o projeto foi fazer algo diferente. Geralmente, quando se planeja um show, a idéia é executar um repertório de sucessos. No entanto, esta seleção histórica foi o que deu origem a tudo”, explica Macedo. “ Buscamos as canções mais representativas de cada década e levamos esse conteúdo ao público, que pode então apreciar a evolução da poética e dos arranjos da música de viola caipira”, completa Mariano.
O projeto “Recorte Histórico da Música de Viola Caipira” é realizado com apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, por meio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Para conseguir a aprovação da série de shows, a dupla teve de caprichar na elaboração da proposta e incluiu como aspecto diferencial o acesso a pessoas com deficiências. Durante as apresentações, uma intérprete cultural utiliza o código de libras para transmitir o conteúdo das canções à comunidade surda. Além disso, parte do material de divulgação da iniciativa foi confeccionado em braile e vídeos nas redes sociais da parceria contam com audiodescrição para os deficientes visuais.
“É comum imaginar que a comunidade surda não pode acessar o universo das canções, mas isso é um equívoco. Músicas são feitas de ondas de vibrações sonoras, ritmos e poesia. As pessoas surdas utilizam outros sentidos para acessar esses conteúdos. Como intérprete cultural, meu trabalho é estudar as letras das canções e transmitir essas mensagens por meio do código de libras durante as apresentações”, explica Tatiana Elizabeth, com 20 anos de experiência na área.
Entre uma canção e outra, que é apresentada ao público em ordem cronológica desde a primeira gravação fonográfica do gênero caipira, Macedo e Mariano fazem um momento de prosa com a platéia, explicando e contando causos sobre a evolução do estilo na cultura popular brasileira. Todas as músicas são tratadas com especial carinho pela dupla, mas cada um tem a faixa preferida do repertório.
“Gosto de todas músicas do show. É como perguntar para um pai qual é o filho preferido. Mas, se tivesse de escolher apenas uma, ficaria com a canção ‘Viola pagodeira’ (1994), pois sou fã incondicional da dupla Ronaldo Viola e João Carvalho, que fez a gravação original”, diz Macedo. “Aprecio especialmente a toada ‘Eu e você’ (1939), de Mariano e Cobrinha, que mostra harmonia e melodia bastante sofisticadas para a época em que foi composta e com letra sem repetição de versos”, comenta Mariano.
Segundo a parceria, as linhas melódicas e harmônicas das versões originais das canções do repertório foram mantidas, com eventuais adaptações à identidade da dupla. “Os ensaios foram bem trabalhados. Eu e Mariano temos um bom entrosamento, mas os outros músicos (um baixista e um acordeonista) nem sempre nos acompanham e isso exigiu mais dedicação. Algumas músicas já executávamos em apresentações passadas, mas algumas realmente são novidades e tiveram uma atenção maior”, explica Macedo.

As apresentações em estações do metrô, que não são locais exatamente apropriados para shows musicais, foram encaradas como um desafio positivo para a parceria em busca de novos públicos. “O projeto tem um viés importante de formação de platéia. Sabemos que a intenção da pessoa não é assistir à apresentação completa, mas passa, ouve um pouco e depois procura saber mais sobre a dupla. A gente acredita que isso pode trazer mais fãs para a dupla e para a música caipira”, diz Mariano.
Formada em 2004, a dupla tem no currículo participações em importantes espetáculos da cena cultural do DF e do país. Em 2009, foi premiada no Festival Sesi Violeiros com a gravação de uma faixa autoral e, no ano seguinte, integrou a terceira edição da coletânea “Universo da Viola Caipira”. Em Taguatinga, idealizou e produziu o encontro anual Capital Viola, de 2009 a 2012, além de apoiar o projeto Trinca Caipira em duas edições. Agora, a parceria estuda a possibilidade de utilizar ao menos parte do repertório do “Recorte Histórico da Música de Viola Caipira” na gravação de um novo disco.
“Pode ser uma boa idéia. Ainda estamos avaliando essa proposta de gravar o repertório em um novo CD. O nosso primeiro disco ainda vem sendo trabalhado, tocando em rádios de diversos estados do país e abrindo portas em programas de tevê, mas em breve devemos trabalhar a gravação de um novo álbum, que novamente contará também com composições autorais”, finaliza Macedo.
SERVIÇO
Macedo & Mariano apresentam:
Recorte Histórico da Música de Viola Caipira
Quando: 19 e 21 de setembro (quarta e sexta-feira)
Onde: Estação Central do metrô (rodoviária do Plano Piloto)
Horário: 17h

 

Ouça Macedo & Mariano: 
Conversando com a viola – www.youtube.com/watch?v=KK7taQSHmTI
Praça Santa Inez – www.youtube.com/watch?v=fstwm0Zt0Og
Assessoria de imprensa: Fernando Brito (61-9-9951-9375)

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