Capoeira no centro de uma roda de conversa na OAB-DF

Por Álisson Lopes

Na noite de 25 de setembro a OAB-DF recebeu os errantes capoeiristas Felipe Couto, Tiago Baldez e convidados, a roda de conversa girou em torno da ontologia e fundamentos da capoeira, da sua negritude, da sua territorialidade, da brasilidade e de sua militância ancestral.

A capoeira, ao meu ver, é a vitória do oprimido contra seu opressor, da liberdade do quilombo contra a reação da casa grande, é o besouro que desafia física e voa, é o passarinho pequeno que mata cobra peçonhenta, lembrar da história da capoeira é lembrar da capoeira de Madame Satã, de Besouro Mangangá, de Mestre Pastinha, de Mestre Bimba, do general e rei de Palmares Zumbi.

A capoeira pela militância insurgente de seus praticantes venceu a escravidão colonial, venceu a criminalização na república, Getúlio Vargas a reconheceu como esporte brasileiro, e em 2008 tornou-se patrimônio imaterial do Brasil, já em 2014 a Unesco reconheceu como patrimônio da humanidade. A capoeira e seus fundamentos, seus mestres devem ter sua memória fomentada e o Estado brasileiro deve salvaguardá-la .

Os incrédulos podem acreditar a capoeira venceu com esquiva, pisão e aú, as teorias racistas de eugenia, jogou e venceu na roda da vida as teorias raciais de Cesare Lombroso e Raimundo Nina Rodrigues. A arte da capoeragem e o jogo dos nossos antepassados, mostrou que a escravidão no Brasil nunca foi amorosa, tampouco desdobrou-se em uma democracia racial.

Foi nas rodas de ruas e no jogo da vida que a capoeira resistiu e demonstrou que é inclusiva, que é sim ação afirmativa, que a roda sim é democrática, para todas e todos, hoje a capoeira é mais acolhedora do que nunca, é difusora da cultura e da língua brasileira pelo mundo.

A Comissão da Memória e da Verdade da OAB-DF, inaugurou o ciclo de conversas sobre o Direito à Cidade e nos próximos encontros serão homenageados e chamados para o jogo antigos mestres de capoeira e a nova geração para preservação da memória destes senhores do conhecimento e saberes da cultura popular, a história dos movimentos sociais, tais como a capoeira, não podem ficar no subterrâneo ou esquecida. O capoeirista nos séculos de história do Brasil demonstrou que o jogo de cada dia é o direito achado na rua, empodera e desperta o sentimento de pertencimento desta nação. A capoeira é revolucionária!

2 comentários em “Capoeira no centro de uma roda de conversa na OAB-DF

  • terça-feira, 2 de outubro de 2018 em 10:40
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    Salve!
    Assim é o cumprimento na Capoeira, é o bom dia, o boa tarde, o boa noite…
    Eu tenho muito orgulho de colocar a mão no peito, e fazer meu Salve diário à Capoeira, aos meus camaradas de roda e àqueles que estão a minha volta, à volta da roda do mundo…
    Temos sempre que lembrar que sem cultura não vive um povo. A cultura do país é tesouro, é patrimônio. Devemos salvaguardar a Capoeira, começando pelo respeito e gratidão aos Mestres, que durante várias rodas da vida, ensinam não só os bons caminhos da capoeira, mas também os caminhos da vida. São verdadeiros sábios e detentores de saberes que a nós, brasileiros, devemos ter na mente e na alma, afinal é uma das nossas riquezas.
    A essência da Capoeira nos dias de hoje, longe das senzalas e das chibatas, permite-nos acreditar que a luta pela sobrevivência é diária, os desafios de uma roda análogos a situações vividas todos os dias… A Capoeira nos faz vivenciar uma verdadeira relação entre razão e emoção.
    Salve a Capoeira! Salve aos Mestres de Capoeira! Axé para todos. A Capoeira é assim, para todos!

    Resposta
  • terça-feira, 2 de outubro de 2018 em 10:42
    Permalink

    Salve!
    Assim é o cumprimento na Capoeira, é o bom dia, o boa tarde, o boa noite…
    Eu tenho muito orgulho de colocar a mão no peito, e fazer meu Salve diário à Capoeira, aos meus camaradas de roda e àqueles que estão a minha volta, à volta da roda do mundo…
    Temos sempre que lembrar que sem cultura não vive um povo. A cultura do país é tesouro, é patrimônio. Devemos salvaguardar a Capoeira, começando pelo respeito e gratidão aos Mestres, que durante várias rodas da vida, ensinam não só os bons caminhos da capoeira, mas também os caminhos da vida. São verdadeiros sábios e detentores de saberes que a nós, brasileiros, devemos ter na mente e na alma, afinal é uma das nossas riquezas.
    A essência da Capoeira nos dias de hoje, longe das senzalas e das chibatas, permite-nos acreditar que a luta pela sobrevivência é diária, os desafios de uma roda análogos a situações vividas todos os dias… A Capoeira nos faz vivenciar uma verdadeira relação entre razão e emoção.
    Salve a Capoeira! Salve aos Mestres de Capoeira! Axé para todos. A Capoeira é assim, para todos!
    Contramestre Coruja
    Centro Cultural Escola do Mundo
    Brasília-DF

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