Culinária angolana e tambor de crioula reúnem África e Brasil em celebração à consciência negra

Evento inaugura o Mugunzê da Resistência, uma Festa de Preto, que terá também exposição de artesanatos dos dois países

A Moamba de Carne Seca é um dos pratos mais deliciosos da culinária de angola. O tambor de crioula é uma das maiores manifestações culturais afro-brasileira, com presença mais frequente no Maranhão.

O sabor da África e a música e a dança de herança africana no Brasil estarão reunidos no Mugunzê da Resistência, uma Festa de Preto, evento que a Casa Manga com Leite realiza a partir das 19 horas desta quinta-feira (22.11.18), em parceria com a jornalista angolana Marisol Kadiegi e a afroempreendedora brasileira Maria Joana Mendes.

Com o Mugunzê da Resistência, uma Festa de Preto a Casa Manga com Leite celebra o Dia Nacional da Consciência Negra, referenciado dois dias antes, no 20 de novembro. A data, que lembra a morte de Zumbi dos Palmares, é a principal nas lutas dos negros contra a opressão e a injustiça que perduram até hoje como nefastas heranças escravocratas.

O Mugunzê significa “Festa de Preto” em idioma kimbundo, uma das etnias que compõem o povo angolano. O objetivo é mostrar como a influência africana é tão rica e importante na formação do nosso povo.

A Moamba de Carne Seca, leva também amendoim moido e couve, acompanhado de angu. O arroz será agregado como opção. O prato será preparado pelas mãos da talentosa Marisol Kadiegi, que além de jornalista é documentarista e professora universitária angolana, residente no Brasil.

Foto: Marisol Kadiegi

Já a manifestação cultural maranhense será apresentada pelo grupo Tambor de Crioula Flores de São Bendito, do Guará, que proporcionará aos presentes conhecer uma de nossas mais ricas dança e da música de origem africana.

Idealizado e organizado por Maria Joana, Conrada, Dinei, Denilse e Nadia, o Tambor de Crioula Flores de São Benedito se apresentará com a participação do mestre Celso, de São Paulo, um percussionista e compositor nato.

Mestre Chico Macedo e seus seguidores, Barrabas e Celso – Foto: Marisol Kagiegi

Mestre Celso, a pedido do mestre Chico Macedo está à frente do comando do Tambor de Crioula Flores de São Benedito. Ele já tocou em varios grupos de reggae e bandas alternativas e inclusive de forro. Já morou na Espanha e França, deixando seu legado cultural.

Conheça mais sobre o grupo em texto mais abaixo.

Novembro Resistência

O Novembro Resistência é uma série de atividades criadas para comemorar o mês da Consciência Negra. A realização dos eventos tem parceria com a União das Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) do Distrito Federal. Já foram realizadas Prosas da Casa sobre os seguintes temas: Eleições e Perspectivas Políticas num Ambiente de Ameaça à Liberdade, aos Direitos e à Vida; e O Papel do Negro nas Lutas Revolucionária e Institucional.

No dia 28, a Prosa da Casa terá como tema Não à Violência Contra as Mulheres: Pela Vida das Marielles, Cláudias, Marias e Clarices. A ideia é promover um debate por ocasião da Semana Internacional para Eliminação da Violência Contra as Mulheres, com foco na violência sexual, familiar, social, policial, trabalhista e política contra as mulheres, especialmente as negras. A semana acontece tendo como referência o dia 25 de novembro, que lembra o assassinato brutal em 1960 das irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas por “Las Mariposas”. Elas foram eliminadas a mando do ditador Rafael Leônidas Trujillo, da República Dominicana.

Tambor de Crioula Flores de São Benedito

O Tambor de Crioula Flores de São Benedito nasceu aqui em Brasília em 18 de setembro de 2018, com as bênçãos de São Benedito, que é o nosso protetor e a quem homenageamos e pedimos passagem para levar a brincadeira em frente. Bem verdade que ele já tinha nascido em São Luís pelas mãos do nosso mestre Chico Macedo, que confeccionou a parelha, o instrumento de percussão usado, e veio especialmente de São Luís para o batismo e primeira apresentação. Tendo início às 14 horas, com oração e canto ao santo homenageado São Benedito, seguido de primeiro toque e dança. Finalizando com almoço para os brincantes e convidados que foram em torno de mais de 25 pessoas.

Foto: Marisol Kadiegi

                                                                                                                                                                                                              No mesmo dia da inauguração o grupo seguiu para a Vila Planalto para realização de oficina e apresentação da dança. Foram seis dias com a presença do Mestre Chico Macedo, de 18 a 23 de setembro, nas seguintes regiões: Taguatinga, IFB da Estrutural, Plano Piloto e Guara.

Mestre: Chico Macedo:

Organizadores e idealizadores do Grupo: Joana, Conrada, Dinei, Denilse e Nadia.

Sede: Concentra-se na QE 42 conj Casa 18 – Guara II, residência das organizadoras Joana e Conrada.

Integrantes: Joana, Conrada, Denilse, Dinei, Lucas, Rodrigo Wernec, Rodrigo, Aline, Rosemar, Patricia, Nadia, Celso, Marinheiro.

São Benedito

As narrativas da origem do Tambor de Crioula via de regra se referem ou a São Benedito ou ao período da escravidão. São Benedito, o santo protetor dos negros aparece no teatro das memórias como um escravo que foi à mata, cortou um tronco de árvore e ensinou os outros negros a fazer e a tocar o tambor. Outras vezes ele surge como o cozinheiro do monastério que levava comida escondida em suas vestes para os pobres ou ainda que vem de uma família de escravos na Itália, onde teria sido chamado por um seguidor de são Francisco de Assis a caminhar com eles em seu voto de pobreza, antes mesmo de receber o título de santo. As histórias são confusas, pois as versões contam que ele viera da Etiópia, do Egito, dos mouros ao Noroeste da África. No sincretismo religioso ele é associado a Ossaim. Para nós é um Santo das coisas possíveis, da união, da fartura, da busca, da alegria, da ancestralidade, de tudo que é bom para o passar aqui nessa terra.

Pequena História do Tambor de Crioula

Inscrito no Livro das Formas de Expressão, em 2007. O Tambor de Crioula do Maranhão é uma forma de expressão de matriz afro-brasileira que envolve dança circular, canto e percussão de tambores. Seja ao ar livre, nas praças, no interior de terreiros, ou associado a outros eventos e manifestações, é realizado sem local específico ou calendário pré-fixado e praticado especialmente em louvor a São Benedito. Essa manifestação afrobrasileira ocorre na maioria dos municípios do Maranhão, envolvendo uma dança circular feminina, canto e percussão de tambores. Dela participam as coreiras ou dançadeiras, conduzidas pelo ritmo intenso dos tambores e pelo influxo das toadas evocadas por tocadores e cantadores, culminando na punga ou umbigada – gesto característico, entendido como saudação e convite. A dança do tambor de Crioula, normalmente executada só pelas mulheres, apresenta coreografia bastante livre e variada. Uma dançante de cada vez, faz evoluções diante dos tambozeiros, enquanto as demais, completando a roda entre tocadores e cantadores, fazem pequenos movimentos para a esquerda e a direita; esperando a vez de receber a punga e ir substituir a que está no meio. A punga é dada geralmente no abdômen, no tórax, ou passada com as mãos, numa espécie de cumprimento. Quando a coreira que está dançando quer ser substituída, vai em direção a uma companheira e aplica-lhe a punga. A que recebe, vai ao centro e dança para cada um dos tocadores, requebrando-se em frente do tambor grande, do meião e o pequeno, e repete tudo de novo até procurar uma substituta.

Instrumento usado: conjunto de parelha três tambores feitos de madeira: grande, meião e crivador e matrata.

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