Consciência Negra: há quem esqueça o martírio de milhares de vidas

Por Rogério Marcos

A escravidão no Brasil durou oficialmente de 1550 a 1888. Como todos sabem, ou pelo menos deveriam saber, foram mortos milhares de negros desde o rapto e captura na África, o horrendo transporte (lembremos do belíssimo poema Navio Negreiro, de Castro Alves), os fuzilamentos, enforcamentos, torturas com instrumentos que causavam dores indizíveis como “anjinhos”, máscaras, tronco e açoite, bolo, colar de pescoço, vira mundo.

Quanto aos números, estima-se que pelo menos 1.200.000 a 1.700.000 pessoas de pele negra sofreram as ignomínias da escravatura. Filhos separados dos pais, mortos ou vendidos como gado. Forçados a trabalhos que bem sabemos as condições.

Mas tudo isso é pouco para um grupo de pessoas cujo único objetivo no dia de ontem, Dia da Consciência Negra, foi falar mal de Zumbi e do Movimento Negro. Nenhuma palavra contra a escravidão, nenhum texto relembrando esse martírio de milhares de vidas.

Não há dúvidas de que aqueles que utilizaram seus verbos para lançarem suas armas contra a data comemorativa, sem falarem nada sobre a escravidão, são os mesmos que aplaudiam o sistema escravocrata no passado e parecem ter uma saudosismo incontido de sua volta. E pior, sua permanecia em alguns casos na nossa contemporaneidade.

* Rogério Marcos é advogado público.

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