Debate lembra os 50 anos do AI-5 e as jornadas rebeldes de 68 no Brasil e no mundo

A Comissão da Memória e da Verdade da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Distrito Feral, a Associação Cultural Mocambo Insubmisso e a Casa Manga com Leite realizam no próximo 13 de dezembro (quinta-feira) o debate “50 anos do AI-5 – O Passado e o Presente das Consequências do Ato Institucional nº 5, editado pela ditadura em 13.12.1968”.

Jornalista Hélio Doyle, ex-preso político

O evento acontecerá no auditório do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal , que apoia o evento, a partir das 19h30. Os debatedores são: jornalista Hélio Doyle e a médica Maninha, os dois ex-presos políticos da ditadura militar; o filósofo João Vicente Goulart, filho de João Goulart, presidente deposto pela ditadura militar de 64; a cientista política Ana Prestes, neta do lendário líder comunista Luiz Carlos Prestes; e o professor e historiador da Universidade de Brasília (UnB), Fernando Horta.

Ano que não quer terminar nunca

Maninha, médica e militante

O ano de 1968 foi emblemático para o Brasil e para o mundo. Aqui foi o ano em que a resistência ao regime militar implantado em 1964 se intensificou nas ruas, nas universidades e no Congresso Nacional. Tanto se amplificou que o regime recrudesceu e decretou o famigerado Ato Institucional número 5, o AI 5, considerado o “golpe dentro do golpe”.

Ana Prestes, cientista política

Enquanto as passeatas ganhavam as ruas do país, puxada por estudantes, artistas, personalidades e trabalhadores, na Câmara e no Senado nossos parlamentares começam a perder o medo e passaram a se manifestar. A organização dos trabalhadores nas cidades e no campo se intensificava. Quatro anos depois do golpe a sociedade em geral – inclusive os setores que apoiaram a tomada do poder pelos militares – começava a verificar que estávamos de fato numa ditadura.

João Vicente Goulart, filho do ex-presente João Goulart, deposto pela ditadura de 64

Para conter o avança da luta democrática, o regime, sob a batuta do general Costa e Silva, decreta o AI 5, instrumento que lhe permite aprofundar a repressão, calar o Congresso, sitiar as universidades e perseguir ferozmente os opositores. O Brasil mergulhava numa escuridão que duraria dez anos, quando, em 1978 começou-se a ensaiar a abertura política com Geisel.

Golpe dentro do golpe

Fernando Horta, historiador

Era 13 de dezembro de 1968 e o ano seguinte, 1969, se iniciava o retrocesso total. Entramos nos chamados anos de chumbo. Prisões e mais prisões, torturas, assassinados, exílios e a severa censura são amplificadas. Sem mais os estreitos limites da resistência nos marcos institucionais, partidos e organizações de esquerda parte para a guerrilha urbana e rural. Em contrapartida o regime se torna ainda mais feroz. O fascismo se escancara.

Agora estamos em 2018 e ano que vem poderemos reviver aqueles anos tristes. Cinquenta anos depois, o fascismo passa a ser uma ameaça real. Ainda que possa virtualmente surgir dentro dos marcos democráticos, pelo voto popular – mesmo que pese aqui fortes indícios de caixa dois e fraudes conduzidas no submundo da internet – estamos na iminência de um governo militar, com forte viés autoritário, de extrema-direita.

É sobre esta possível repetição da História brasileira (em farsa ou tragédia?) que a Comissão da Memória e da Verdade da OAB-DF. a Associação Cultural Mocambo Insubmisso e a Casa Manga com Leite, com apoio do Sindicato dos Bancários, promovem este debate.

Para tanto estamos convidando todos os democratas, progressistas, estudantes, juventude em geral, sindicalistas, ativistas em geral, militantes dos movimento sociais, historiados, jornalistas, cientistas políticos, ex-presos políticos, artistas, intelectuais, personalidade e população geral.

SERVIÇO

Debate sobre os “50 anos do AI-5 – O Passado e o Presente das Consequências do Ato Institucional nº 5, editado pela ditadura em 13.12.1968”

Dia 13, quinta-feira

Sindicato dos Bancários do Distrito Federa, SHCS EQS 514/515

A partir das 19h30

 

Contatos: 61 985430376, 99994-0962 e 99985-2768

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *