Praças vazias, sem povo…

Por Álisson Lopes

Quando a maior instrumentalização deveria ser à palavra, vivemos um tempo acelerado. As tecnologias e as informações chegam numa velocidade incrivelmente rápida, era da informação, mas não do conhecimento. Sabemos mais da vida do outro pelas notícias, sejam elas verdadeiras ou até mesmo falsas. Vivemos jogos virtuais, vivemos redes sociais, às vezes como fim e não como meio, como instrumento.

Discute-se ensino à distância até no ensino básico e esquecendo que somos seres gregários e que a escola demonstra a diversidade e aguça à inteligência emocional. Concordo que não é possível retroceder e nem devemos em relação às tecnologias, elas deveriam nos possibilitar mais tempo de ócio e não tirar empregos. Acredito que somente uma educação crítica e social em relação ao que é estudado, no sentido de instrumentalizar o estudante com fundamentos baseados na inquietude de apreender, viver e compreender possa permitir um preparo para as adversidades do presente e futuro. A tecnologia pensada pela humanidade deve permitir mais humanidade, mais vida, mais união .

A palavra com amor, preparo e convicção ainda é o instrumento mais maravilhoso de persuasão e humanidade. Chaplin já afirmou que precisávamos de menos máquinas e mais humanidade, Eric Hobsbawn, em sua obra Era dos Extremos, em referência ao século XX, já nos alertava que a Humanidade já possuía tecnologia suficiente para acabar com a fome e a pobreza, vale fazer uma grande reflexão em relação a isto.

Nestes tempos, fico pensando nas praças vazias sem povo. Será que o poeta Castro Alves se contentaria em ter milhões de acessos e curtidas no mundo virtual do que estar em meio ao povo declamando sua poesia de revolução e de amor?

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