Quebrar

Por Álisson Lopes

Ele foi pego num cerco inevitável, sim pois não era ele a presa, não espera aquilo, foi pego numa noite qualquer num dia qualquer , ele pensará que péssimo dia, o jogaram no chão lhe deram chutes em varias partes do corpo, ele sentiu o sangue escorrer pelo seu nariz, o jogaram no porta mala de um veículo, e com um capuz em seu rosto o lançaram numa cela, sem luz , sem ventilação.

Não fizeram perguntas , todos já haviam caído lhe disseram, todos quem? ele não sabia, o pegaram enganado. O que ele sabia é que tinha uns baderneiros incitando pessoas como ele, mas ele não gostava de confusão. Aprenderá cedo que religião não se discutia, aliás já tinha escolhido uma que era bem popular para não ser excluído, política então nem pensar ele deixava para os políticos , ele odeia política, futebol ele não era bem entendido no assunto, mas tinha um time escolhido, nunca mudará, talvez uma das convicções mais certas da sua existência é de que não se mudava time de futebol.

Recebia uma minguada ração diária, as vezes tomava banho de sol, não recebia visitas , perguntava por que estava lá, olhavam para ele fechavam o rosto e mostravam rugas rancorosas, não respondiam.

A solidão, o isolamento e principalmente não saber o motivo do encarceramento estavam o enlouquecendo, ele pensou nos casos que teve, nas dividas que tinha, nada poderia ter o levado até ali. Ele não tinha ideia de quem o prendeu e o motivo. Será que ele seria cobaia de uma experiência ou vítima do tráfico de órgãos ? Que loucura era aquela?

Ele foi perdendo a noção do tempo, não sabia se estava privado da sua liberdade por dias, por meses ou por anos. Preso, louco, estava ali remoendo, ruminando o passado por não existir presente e o futuro algo inatingível.

Um dia sem mais e nem menos, jogaram suas roupas em cima dele e falaram vai embora, ele levantou-se , pegou suas tralhas , e antes de sair , não resistiu e perguntou o que ele tinha feito para ficar ali?

O Homem olhou sério e com uma voz de julgador respondeu com toda convicção coisa boa que não foi ….

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