Liberação da posse de armas pode aumentar acidentes domésticos, matando crianças e adolescentes

Flexibilização decretada pelo presidente Jair Bolsonaro acontece horas depois de uma criança de 8 anos morrer acidentalmente com o revólver do avô

Da Redação

O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta terça-feira (15) o decreto que flexibiliza ao máximo a posse de armas no Brasil. A assinatura ocorreu no início da tarde. Ontem à noite, ou seja, menos de 24 horas antes, na cidade de Paranatinga, no Leste de Mato Grosso, uma criança de oito anos morria com o tiro disparado por ela própria com o revólver do seu avô. A tragédia mostra que a liberação quase que total da posse de armas poderá aumentar em muito esse tipo de acidentes.

A posse de armas foi uma das promessas de Bolsonaro na campanha eleitoral. Muita gente confunde a posse com o porte. A posse é a manutenção da armas em residência ou outro bem móvel. O porte é a permissão para que a pessoa ande armada. Mesmo com a posse, os riscos do aumento da violência são grandes. Grupos de defesa dos direitos humanos alertam que pode aumentar os casos de feminicídios, por exemplo, além de confrontos fatídicos intra-familiares. De outro lado, muitos cidadãos com armas em casa poderão não resistir à tentação de sair com elas nas ruas e a possibilidade de uma simples discussão de trânsito ou de bar virar tragédia.

Em relação aos acidentes domésticos, não existem estatísticas recentes. Nos Estados Unidos dados do ano passado mostram que a mortes de crianças e adolescentes com armas de fogo computam 15% dos casos de óbitos entre essas faixas etárias. No projeto de decreto original apresentado a Bolsonaro, previa-se que em caso de residências com crianças ou deficientes mentais, teria que haver um cofre para manter as armas. Mas este dispositivo foi banido do decreto.

A falta de manutenção de armas em locais protegidos do alcance de crianças e adolescentes pode levar a outros tipos de tragédias. Lembremos do caso recente ocorrido no bairro Riviera, em Goiânia (GO), onde um adolescente pegou a pistola de sua mãe, uma policial militar, levou para a escola e disparou contra seus colegas, matando um deles e ferindo mais três.

 

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