“Decisão da Petrobrás coloca em risco soberania nacional”, alerta Wellington

Dono do maior rebanho bovino do país, Mato Grosso será um dos estados mais prejudicados com o encerramento da produção de ureia

A decisão da Petrobras de ‘hibernação’ das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados, localizadas em Sergipe (Fafen-SE) e na Bahia (Fafen-BA), como parte do ‘plano de desinvestimentos’ na área de fertilizantes, anunciada no ano passado, trará graves consequências ao Brasil, com efeitos diretos sobre a economia e também frente a soberania nacional. O alerta foi feito pelo senador Wellington Fagundes (PR-MT) em ofício endereçado à ministra Teresa Cristina Corrêa da Costa Dias, da Agricultura e Reforma Agrária.

As duas unidades são responsáveis pela produção nacional de ureia, produto destinado a alimentação animal. Tratam-se de insumos considerados essenciais à produção pecuária e largamente utilizado no campo. A Fafen da Bahia interrompeu a produção no dia 4 de janeiro. Para o final do mês está previsto o encerramento das atividades da fábrica de Sergipe. Com isso, o Brasil passará a ser 100% dependente da importação.

A Petrobras alega perdas com a manutenção das duas fábricas. A estatal anunciou resultado negativo de cerca de R$ 600 milhões no ano de 2017.  Porém, Fagundes defende que a produção de ureia precisa ser tratada do ponto de vista da segurança nacional, já que envolve um dos setores essenciais ao país.

A pecuária nacional responde “por uma imensa colaboração ao PIB nacional”. Dados do relatório anual da Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) apontam para negócios na ordem de R$ 483,5 bilhões que poderão ser duramente penalizados a partir da decisão da Petrobras.

Mato Grosso é dono do maior rebanho bovino do país e será um dos estados mais prejudicados com a decisão da Petrobras com a fase de desinvestimentos no setor. O estado detém 30,2 milhões de cabeças de gado e responde por 13,8% da produção nacional de carne. É considerado referência mundial na produção, fruto da interação entre nível tecnológico empregado pelos pecuaristas, melhoramento genético, clima, relevo e integração lavoura pecuária.

Wellington ressaltou no documento à ministra que defendeu no Senado, durante audiência pública na Comissão de Agricultura, em abril do ano passado, a produção de ureia pecuária no Brasil, para manter o padrão de qualidade da carne produzida e para facilitar o acesso dos produtores rurais aos fertilizantes nacionais. “A proteína animal é de extrema importância para a balança comercial do país, sendo uma questão de estratégia e soberania nacional manter os insumos necessários para a manutenção da qualidade” – destacou.

A Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), segundo ele, vem advertindo para a necessidade da criação de uma cadeia de fornecedores locais e de agregação de valor ao País, já que a agricultura e pecuária brasileira estão entre as mais competitivas do mundo.  Segundo a Asbram, o fechamento dessas fábricas no Brasil prejudicará os produtores, por não terem experiência em compras internacionais, principalmente os pequenos e médios, o que os torna vulneráveis às flutuações do câmbio e dos preços no mercado internacional, podendo, até mesmo, levar a um desabastecimento em determinados momentos.

Atualmente, o Brasil importa 335 mil toneladas de ureia da Bolívia. “O desequilíbrio que a falta de ureia ou o seu aumento de preço sem qualquer controle poderão gerar consequências indesejáveis à cadeia de produção de carne animal, com reflexos negativos para a população brasileira” – salientou o republicano, que pediu a ministra que haja uma ação determinante do Governo para evitar a paralisação da produção.

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