‘Quem não aguenta com mandinga não patuá’

Por Álisson Lopes

Ouvi essa expressão “quem não aguenta com mandinga não carrega patuá” pela primeira vez nas ruas do DF, nos becos e quadras de locais que andei. Naquele momento, começo de adolescência, não imaginava de onde vinha a expressão. Por vezes ouvia também no coro da roda de capoeira numa esquina próxima da minha casa. Então o DF era menor em quantidade de habitantes e cidades, muitas das quais que existem hoje não existiam neste período. A expressão representava valentia, dizia respeito ao efeito-causa e consequência nas nossas ações. “Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei”, como diria Raulzito, em Sociedade Alternativa, e o ditado das ruas completaria “mas segure a onda depois”.

O jornalista Fernando Sagatiba, filiado à UNEGRO do Rio de Janeiro, em seu blog fala da origem desta expressão em relação a etnia mandinga africana muçulmana, os malês, que desenvolveram importante resistência e ofensiva na Bahia colonial contra a escravidão, andavam com um alcorão preso no pescoço por um colar (https://raizdosambaemfoco.wordpress.com/2014/01/23/quem-tem-medo-de-mandinga-nao-carrega-patua/)

Às vezes somos colocados de tal maneira exprimidos contra a parede que mesmo o mais dócil dos seres humanos se rebela contra tal agressão, irá subverter, pois diz respeito ao mais puro sentido de sobrevivência. E quando somos muitos exprimidos, sufocados, emerge um sentimento coletivo que supera o individualismo, uma alma coletiva, tal qual como surgiu nos quilombos, no movimento do partido dos Panteras Negras, nos trezentos de Esparta.

Estados autoritários chegam ao poder por golpes ou até democraticamente em momentos de crises econômicas, no capitalismo são cíclicas, surgem como salvadores da pátria, da moral do passado bom que nunca existiu, junto com eles vêm seus pacotes importados com privatizações, enxugamentos, curvam-se para as transnacionais lhe passarem a mão na bunda.

É no esgarçamento das relações sociais que existem às vezes convulsões sociais ou algo mais profundo, mais invencível, mais humano, as revoluções.

E quanto aos impérios, não conheço um que ao longo da história da Humanidade não tenha nascido, crescido , chegado ao auge e depois sofrido sua derrocada.

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