Toda escola deveria ser um Quilombo

Por Álisson Lopes

A escola deve apresentar-se como espaço da liberdade, ambiente libertário de caducos paradigmas. O racismo é um deles, hoje o racismo é crime, positivado no código pena em seu artigo:  A Lei 7.719/1989, conhecida como Lei Caó, que classifica o racismo como crime inafiançável, punível com prisão de até cinco anos e multa, é pouco aplicada.

O racismo é muito mais que discriminação ou preconceito racial, é uma doutrina que afirma haver relação entre características raciais e culturais, defendendo que algumas raças são por natureza superiores a outras.

Em 2003, entra em vigor a lei n° 10.639, que torna obrigatório o ensino da história da África e dos afro-brasileiros no ensino fundamental e médio com objetivo de mudar ideologia de povo colonizado, ou seja, formatado.

No Brasil há um racismo camuflado, disfarçado de democracia racial. Tal mentalidade é tão perigosa quanto a que é assumida, declarada. O racismo camuflado é traiçoeiro: não se sabe exatamente de onde vem. Tanto pode manifestar-se nos regimes autoritários quanto nas democracias.

A escola deve oferecer resistência e atitudes de vanguarda contra ideologias conservadoras herdadas do colonialismo europeu.

Nos quilombos as organizações sociais funcionavam possibilitando a convivência entre os marginalizados, os páreas do sistema escravocrata. Portanto, no período escravocrata, negros, indígenas e brancos pobres se articulavam em aldeias formando em todo Brasil quilombos onde podiam a revelia do Estado Português praticarem a liberdade e o dom da civilização.

No dia 20 de novembro de 1695, Zumbi foi assassinado e esquartejado. Seus Restos mortais foram salgados e deixados apodrecer em praça pública no Recife.

O general Zumbi, líder do Estado de Palmares, lutou contra a escravidão e o racismo de forma pragmática e ostensiva. Sua derrocada, não inviabilizou a luta contra a escravidão. Contrariamente, motiva até hoje, ultrapassando os séculos. A história do racismo no Brasil é a história da luta contra a escravidão.

A escola deve permitir a reflexão e a sensibilização contra a intolerância, a desigualdade, o preconceito, o racismo e o esteriótipo.

A escola deve ensinar o que determina a diferença na cor da pele é a melanina, substância em nosso organismo que define a cor dos olhos, cabelos e pele. Na humanidade somente existe uma raça, a raça humana, temos etnias diversas. As diferenças, tais como cor da pele, religião, opção sexual devem ser respeitadas, mas as desigualdades, tais como pobreza, miséria devem ser banidas.

Os negros do Brasil possuem como ancestrais os povos africanos, berço da Humanidade, cultura e ciência. A civilização egípcia, por exemplo, uma esplêndida civilização negra, como tantas outras grandes civilizações. A cultura negra inegavelmente formou o Brasil e o mundo.

Todo o povo brasileiro deve conhecer a história africana, pois também é nossa história, como também a indígena, como prevê a lei 11.645/08. Todos devem compreender o que é racismo e não permitir mais a sua existência. A importante cultura negra está apresentada no maracatu, cacuriá, capoeira, umbanda, candomblé, rock n’roll, hip hop, samba, entre outros.

Tivemos incontáveis guerreiros defensores da liberdade, como Zumbi, Mathin Luther King, Malcon X, os panteras negras, João Cândido, Luiz Gama, Oswaldo Orlando Costa, Mestre Bimba, Mestre Pastinha, Nelson Mandela, Mãe Menininha do Cantois, GOG, Muhammad Ali, a lista não tem fim.

Saravá Negritude!

Álisson Rafael

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