Desemprego e reforma trabalhista levam milhares ao subemprego em Brasília

Por João Negrão

Quem costuma pegar ônibus na Rodoviária do Plano Piloto ou transitar por outros espaços da área central de Brasília, como o Setor Comercial Sul, vai observar uma mudança na paisagem desses locais: a proliferação de vendedores ambulantes.

A maioria são desempregados e parte considerável de pessoas que vive originalmente da venda de produtos dos mais variados tipos pelas calçadas, mas também pessoas que preferem o trabalho informal a se submeterem às novas regras impostas ao mundo trabalho pela reforma trabalhista do governo Temer.

Guiomar Antonio Batista era segurança de uma empresa terceirizada do antigo Ministério do Esporte. ele conta que ficou desempregado tão logo assumiu Michel Temer. “A empresa fez um corte muito grande. Fomos dezenas de demitidos”, afirma. Sem conseguir novo emprego, resolveu vender bugigangas na Rodoviária do Plano Piloto. Oferece óculos, carteiras, capas de celulares, fones de ouvido e carregadores. “Tudo que dá um dinheirinho”, afirma.

Teresa de Paula trabalhava como zeladora em um hospital de Taguatinga. Não aguentou a imposição da empresa: trabalhar mais pelo mesmo salário e sem outros benefícios, com vales alimentação e transporte, que tinha. “Antes eu limpava uma ala com 15 salas por dia”, conta.

Há um ano, quando viu a metade de suas colegas demitida, foi obrigada a limpar o dobro. Com fortes problemas de coluna, pediu demissão. Mas não conseguiu arrumar outro emprego, tentou voltar, mas já tinha dezenas de outras mulheres querendo seu lugar. “Por isso estou aqui”, conta ela, de pé num canto próximo a uma das escadas da Rodoviária, vendendo biscoitos e doces.

Igor da Silva trabalha desde pré-adolescente na Rodoviária do Plano Piloto, vendendo frutas. Começou com 11 anos e vive desse trabalho informal desde então. Nos dez anos que trabalha por lá viu muitas transformações no perfil dos vendedores. Único que se aceitou gravar vídeo, Igor conta que desde 2015 começou a aumentar o número de pessoas no trabalho informal naquele espaço. “É o desemprego”, afirmou ao ser indagado qual a razão da duplicação dos subempregados.

Confira os vídeos:

 

 

 

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