Amor além da Vida 

Por Rebeca Antunes
Hoje eu, Aline faço 22 anos. Há 6 anos atrás Cristian se foi. Neste mesmo dia de hoje ele iria fazer 28. Cristian e eu nascemos no mesmo dia. Ele nasceu em 1991 e eu em 1997. Nós eramos amigos de infância. Assim que ele nasceu, juntamente com sua família, resolveram morar em Curitiba. Eu já morava aqui com minha família. A família dele comprou uma casa no mesmo bairro que a minha. Nos conhecemos em uma brincadeira de criança chamada de “pula saco”. Neste dia eu estava andando de bicicleta na rua e minha mãe vinha logo atrás me olhando. Ao passarmos na frente da casa de Cristian, eu fiquei maravilhada com tal brincadeira que até então eu não conhecia. Naquele instante Cristian e seus pais me convidaram para brincar com ele, enquanto isso nossas mães ficaram conversando. Eu tinha certeza de que elas estavam trocando receitas. Depois de um tempo a brincadeira acabou e eu o convidei para brincar na minha casa no dia seguinte. Nos brincamos de boneca e ele sequer reclamou. Com o decorrer do tempo viramos melhores amigos, estudávamos na mesma escola, lanchávamos juntos e durmiámos sempre na casa um do outro. Na primeira vez em que dormi na casa dele, logo após a mãe dele contar uma história infantil da Disney, ele me disse que era um príncipe e que iria me proteger de todo e qualquer mal. O tempo foi passando e ele cumpriu a sua promessa até os 16 anos. Ele me salvou de todo mal, exceto da dor de viver sem ele… Com 16 anos Cristian e sua família viajaram para o Rio de Janeiro, ele levou um tiro de bala perdida, ficou consciente até chegar ao hospital, mas não resistiu. Quando Cristian viajou eu escrevi uma carta para quando ele voltasse, mas isso nunca aconteceu. Na carta eu falei do nosso amor que começou puro e inocente como duas crianças que brincavam de pula saco. Desde sua morte eu lhe escrevo cartas que jamais serão lidas, mas que terão o meu eterno amor.

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