Cuidado com as tentações da Semana Santa

Por Cláudia Olivé Cavalcanti

A Semana Santa é um ótimo momento para repensar a alimentação. Sobretudo durante esse período, mas também durante toda a quaresma, muita gente, principalmente as pessoas mais religiosas, seguem à risca o corte do consumo de carne vermelhas, fazem jejum e ficam vigilantes em relação à gula, um dos sete pecados capitais. É um momento em que o consumo de peixes e vegetais é priorizado, especialmente na Sexta-feira da Paixão.

Este é um tempo de reflexão espiritual, de reencontro com Jesus Cristo e conexão com todo o significado de Sua Paixão. Contudo, é também um momento de reconexão com nós mesmos, de reflexão sobre nossos caminhos, aspirações e desejos. Portanto, repensar a nossa alimentação pode ser importante nesse processo. Cultivar hábitos saudáveis, sobretudo na alimentação, nos ajuda a trilhar com bem-estar nossa trajetória aqui na Terra.

A dieta no período da quaresma e especialmente da Semana Santa e nela, a da Sexta-feira da Paixão, nos remete a alimentos livres de muitos elementos que fazem mal à saúde e ajudam no nosso bem-estar. Os peixes e vegetais, como já falamos, são sempre mais saudáveis. Mas, se por um lado, os pratos típicos da culinária desse período podem nos fazer rever nossa dieta diária e não apenas sazonal, de outra sorte eles pode conter tentações.

Assim, é necessário ficar atento à quantidade e à qualidade do que se vai consumir. A tradição religiosa nos remete a não comer carnes vermelhas, que, além do significado desconfortante num momento em que lembramos a Paixão de Cristo, todo o seu sofrimento e morte cruel, em tempos normais já não são tão saudáveis. Contudo, é preciso atentar para os tipos de peixes, frutas, legumes e outros vegetais que se vá consumir.

E no Domingo de Páscoa, além do “atraso” que muita gente imagina ter nos dias anteriores e o quem tirar voltando à alimentação “normal”, temos aquele grande vilão: o tradicional chocolate. Tudo isto pode comprometer seriamente a dieta de quem quer emagrecer ou evitar o surgimento ou agravamento de doenças típicas de hábitos alimentares incorretos, como a obesidade, o diabetes e as doenças coronárias. Portanto, é necessário muita atenção na hora de escolher o cardápio da Páscoa.

É preciso ainda lembrar o verdadeiro significado de Páscoa: renovação e de mudanças. E isto tem tudo a ver com o que estamos falando aqui. Portanto, na hora de preparar sua confraternização com familiares e amigo, pense neste significado e reflita sobre a sua vida em geral, inclusive alimentar.

Vamos a algumas dicas:

Peixes

Nem todo peixe é sinônimo de alimento saudável. É preciso ficar atento para que tipo peixe consumir e para a qualidade do produto. As atenções devem começar na hora de comprar, avaliando criteriosamente o estado das escamas, dos olhos e do brilho do peixe. Isto é importante para evitar intoxicações alimentares.

Peixe com olhos esbranquiçados é sinal de que ele está muito tempo fora da água e, portanto, não é mais um produto fresco. As escamas e a pele são outros indicativos da má qualidade. Se as escamas estiverem soltando muito fácil e a pele, ao empurrar com o dedo, demorar a voltar, é sinal de que o peixe desidratado.

Outros indícios de que o peixe não é fresco são as guelras amareladas e com muco. Sempre opte pelas que estejam brilhantes, bem vermelhas e sem muco. Além do tato e da visão, empregue veementemente outro importante sentido do seu corpo: o olfato. Mete as narinas bem perto do peixe para verificar o cheiro do bicho. Cheirou mal, caia fora.

Outra atenção necessária é em relação ao local da compra. Observe bem as condições de refrigeração dos produtos e, especialmente, a higiene do local de venda. Atente também para a condição do gelo em que o peixe estiver acondicionado. Cores estranhas e aromas ruins são maus sinais.

A procedência do pescado também é outro item a ser observado. Fuja daqueles vindos de locais reconhecidamente poluídos. Alerte-se em relação aos criados em cativeiro, pois são alimentados com rações muitas vezes inadequadas e hormônios e medicamentos impróprios. Este geralmente são peixes muito gordurosos e repletos de químicas.

Bacalhau

O bacalhau é a grande estrela da culinária típica da Semana Santa. Em geral é um produto saudável, com pouquíssima gordura e reduzido carboidrato. Mas cuidado com o sal. É sempre importante dessalgá-lo com eficiência, por conta dos riscos que esse tempero acarreta à saúde, especialmente de hipertensos e cardíacos.

Outra atenção com bacalhau deve ser em relação à legitimidade e qualidade. Observe as informações sobre a sua classificação e tipo, que normalmente estão na embalagem. Atente também para a sua forma. O bacalhau legítimo é largo e permite corte em lombos, em cor “palha” e a pele deve soltar com facilidade.

Quanto à qualidade, observe se o bacalhau tem aparência deve ser limpa, sem manchas escuras, rosa ou avermelhadas, que podem ser resíduos do peixe como sangue, bílis e outras impurezas, indicando que ele não foi bem tratado.

O preparo é também outro item importante para garantir a qualidade nutricional e a refeição saudável tanto do bacalhau como dos demais peixes. Prefira o azeite e ervas. Evite produtos calóricos como natas, maionese, manteiga ou óleo. E selecione bem os acompanhamentos.

Chocolates

O cacau, matéria-prima do chocolate, é considerado um superalimento por conter grandes quantidades de antioxidantes, como polifenóis e flavonoides, que combatem doenças e retardam os efeitos do envelhecimento.

Mas a maioria dos ovos de Páscoa existentes no mercado tem muito pouco cacau e muita gordura saturada, carboidratos e açúcar em excesso. Os chocolates brancos chegam a ter até 95% dessas gorduras e dos açucares. Somente 5% é cacau. Evite-os.

O bom chocolate deve ter pelo menos 70% de cacau e menos carboidratos e gorduras saturadas. São os casos dos chocolates mais escuros e amargos. Quanto mais assim forem, menos mal farão à saúde. Muita gente não resiste à tentação sabor doce dos chocolates mais comuns, mas o certo é que quanto mais amargo for mais saudável ele será.

Outro perigo são os ovos de Páscoa recheados, crocantes, trufados, com mousse ou marshmallow, que são os com mais açúcar e mais gorduras. Fuja dessas tentações.

Sempre leia com atenção o rótulo do ovo antes de adquiri-lo. A lei obriga que os ingredientes e propriedade nutricionais de cada produto sejam descritos na embalagem.

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