A importância da greve

Por Andreia Britto

No dia 14 de junho, anuncia-se uma grande greve geral e nacional. Diante deste chamado dos trabalhadores, indagamos o que a GREVE realmente representa. Sabe-se que, no sistema capitalista, a luta de classes originou-se com a formação de dois grupos sociais: os capitalistas e o proletariado. Os empresários e empreendedores figuram como os donos dos meios de produção, enquanto os trabalhadores são os donos da força de trabalho. Os trabalhadores oferecem sua força de trabalho em troca de uma remuneração justa e condições dignas de trabalho, uma vez que os donos dos meios de produção são os detentores do capital.  

Quando há divergências sobre os termos dessa troca, a greve surge como um mecanismo eficaz na negociação entre patrões e empregados, pois, ao unirem-se coletivamente, os trabalhadores conseguem pressionar seus empregadores a negociar. E é justamente a atuação e a força coletiva do movimento sindical que protege os trabalhadores de demissões arbitrárias, assédios e perseguições no ambiente de trabalho. Dessa forma, a greve caracteriza-se como um movimento de paralisação temporária do trabalho, sendo utilizada como instrumento de negociação dos trabalhadores, na busca por direitos ainda não reconhecidos ou na luta por direitos existentes formalmente, porém em risco.   

A greve pode tornar-se um forte mecanismo de reivindicação dos direitos trabalhistas, políticos e sociais; depende, no entanto, da existência de instituições democráticas que respeitem as demandas dos trabalhadores e a liberdade de expressão. O caráter político do movimento grevista expressa-se quando os trabalhadores, com o objetivo de ter suas demandas atendidas, pressionam o empregador e, também, o governo, uma vez que este deve ser o garantidor da ordem social e democrática.  

A greve evidencia a existência de conflitos entre o capitalista e o proletário. É por isso que, nos últimos três séculos, a greve passou a ser uma realidade sociológica que se impõe em situações de crise. No Brasil, os primeiros registros de greve ocorreram no início do século XX, momento em que era considerada “proibida”, caracterizando-se, inclusive, como um delito, o que autorizava a demissão daqueles que aderissem ao movimento. Depois, vive um período no qual é “tolerada”; definida, no entanto, como um ilícito civil. Atualmente, a greve é “permitida” e reconhecida como um direito de manifestação legítimo dos trabalhadores, com amparo constitucional.  

A greve expressa as reivindicações pela preservação dos direitos trabalhistas e sociais, e pela oportunidade de trabalho com salários dignos, sem discriminação de gênero e de raça. Desse modo, a greve serve como instrumento de empoderamento de uma classe historicamente marginalizada e subordinada aos detentores do poder político e econômico. Quanto maior a legitimidade de uma greve e quanto mais apoio tiver da população, maiores são as possibilidades de êxito e, consequentemente, de avanços e de progressos ao desenvolvimento social e econômico do país. 

Andreia Lopes Britto – Advogada  

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