Intervenção do MEC na UFGD fere a autonomia universitária, denuncia professor José Geraldo

Para o ex-reitor da UnB a intenção autoritária do governo ultraliberal de Bolsonaro confronta com a luta história da comunidade universitária

Por João Negrão

A intervenção do Ministério da Educação (MEC) na Universidade Federal da Região da Grande Dourados (UFGD), em Mato Grosso do Sul, onde foi nomeada para reitora pro tempore (temporária) a professora Mirlene Ferreira Macedo Damázio, recebeu o repúdio do professor doutor José Geraldo de Sousa Júnior, da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). O professor José Geraldo, que também foi reitor da UnB, disse que o governo não pode “não pode substituir a vontade livre da comunidade acadêmica”.

“Há um verdadeiro cabo de guerra entre a intenção autoritária deste governo ultra neoliberal que se instalou e a luta histórica da comunidade universitária para preservar o patrimônio social de uma instituição pública tão necessária ao desenvolvimento e à soberania nacional conforme prevê a Constituição de 1988”, afirmou o professor José Geraldo. “É verdade que o governo pode, nos termos da lei, rejeitar uma lista tríplice que não obedeça os protocolos de sua legal composição. Mas não pode substituir a vontade livre da comunidade acadêmica, para sob a forma de uma designação pro tempore, que é o eufemismo de intervenção, por terra o sentido da autonomia da universidade, como está acontecendo agora na UFGD”, pontuou.

O professor José Geraldo, que foi presidente da comissão de autonomia da Andifes (Associação Nacional de Instituições Federais de Ensino Superior), diz ter “a percepção exata de que aí, nesse cabo de guerra, é a luta social e política democrática que estamos travando desde a Constituição de 1988, que vai medir a nossa capacidade de defesa do projeto democrático, não deixando que se descontitucionalize o país e que se desmocratize a nossa sociedade”.

Em vídeo gravado de apoio à comunidade acadêmica da UFGD, José Geraldo afirma ainda ter “certeza que medidas jurídicas, com apoio do Ministério Público Federal, como já está acontecendo com ações civis públicas, com inquéritos civis, com representações, vão restaurar a linha correta de preservação da autonomia universitária e com apoio da sua comunidade e da solidariedade nacional, lá em Dourados vai se restabelecer como um modelo padrão no sentido legítimo da escolha de dirigentes nas universidades públicas brasileiras”.

Confira o vídeo:

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