Moradores do Jardim ABC denunciam imobiliária por tentativa de tomar seus imóveis

Segundo os proprietários de casas e terrenos, eles estão sendo coagidos a fazer acordos sob pena de perderem os imóveis comprados há 20 ou 30 anos atrás

Por João Negrão

Da Editoria

Imagina você comprar um terreno 20 ou 30 anos atrás, quitá-lo e, depois desse tempo todo, aparecer uma imobiliária se dizendo procuradora dos herdeiros do loteador para lhe obrigar a pagar tudo de novo sob pena de perder o seu imóvel. Parece surreal, não é? Mas é exatamente esta a situação relatada por proprietários de imóveis no Jardim ABC, distrito do município de Cidade Ocidental, no entorno do Distrito Federal. Ali, milhares de moradores estão sendo convocados a fazer um acordo com a Empresa Brasiliense de Imóveis, imobiliária com sede em Brasília.

Os moradores denunciam casos de ameaças, coação e intimidação, inclusive sob o aval do Centro Judiciário de Soluções de Conflitos e Cidadania (Cejusc), do Fórum de Justiça da Cidade Ocidental, onde está sendo feita a maioria dos acordos. Outra parte está sendo feita na própria sede da Brasiliense, em Brasília. Ali os proprietários relatam casos de intimidação, como a tomada dos imóveis, caso os acordos não sejam firmados.

O Repórter Brasil Central participou de uma reunião na última quinta-feira (20.06.18) em quer os moradores relatam as arbitrariedades que vêm sofrendo. Você vai conferir alguns depoimentos dos proprietários dos imóveis em vídeo logo abaixo deste texto. Segundo eles, a Brasiliense, com posse de uma procuração dos herdeiros do ex-proprietário do loteamento, Carlos Eduardo Furquim Campos, já falecido, os filhos e filhas dele são os verdadeiros proprietários e que a venda feita pela Piloto Empreendimentos Imobiliários não tinha validade.

Ocorre, no entanto, que, sempre segundo relato dos moradores, mesmos terrenos adquiridos da própria Empresa Brasiliense de Imóveis estão sendo desconsideradas as vendas e exigida nova negociação. As negociações variam de R$ 5 mil a R$ 56 mil, dependendo do valor, da quantidade de imóveis adquiridos e da situação do bem, se é terreno vago ou construído.

Nós conversamos com o advogado Felipe Boni de Castro, representante da Brasiliense, que negou veementemente que a empresa está intimidando os moradores a fazer as negociações. Segundo ele, o que está sendo feita é uma “regularização fundiária urbana” no Jardim ABC. Ele acusa “muitos oportunistas, vereadores e estelionatários” que estariam agindo no local, “se aproveitando das pessoas com desinformação”. Ele menciona nominalmente a senhora Míriam Luzia de Lima, proprietária da Piloto Empreendimentos imobiliários. “As pessoas foram vítimas dessa estelionatária”, afirmou.

Castro também afirma que há pessoas no Jardim ABC “querendo ganhar notoriedade”. Para ele são pessoas picaretas “que ilude as pessoas para que não façam a negociação” e procurem a Justiça. “Estamos fazendo tudo dentro da lei, no Fórum da cidade”, assegurou.

A reportagem tentou ouvir o representante da Piloto Empreendimentos Imobiliários e não conseguiu. Identificado apenas como Juliano pelos moradores, o telefone atribuído a ele não atendeu nenhuma das chamadas. No Fórum de Cidade Ocidental não foi possível falar com o diretor do Cejusc e nem com o juiz André Rodrigues Nacagami, responsável pela unidade. O funcionário que nos atendeu orientou a agendar entrevista para o período da tarde, o que será feito.

Confira os vídeos com os depoimentos de parte dos moradores do Jardim ABC e também do vereador Rodolfo Valente, que vem acompanhando o caso:

Entrevista com Paula Virgínia da Silva:

Entrevista com Claudete Barbosa Queiroz:

Entrevista com Mário Henrique Magalhães:

Entrevista com o vereador Rodolfo Valente:

Entrevista com Joaquim Vieira da Silva:

Entrevista com Elizabete Barbosa dos Santos:

Entrevista com Marcelo José da Silva:

Entrevista com Valdeci Barbosa dos Santos:

Entrevista com Eva Vieira de Sousa:

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